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Três dias após o desabamento na mina El Teniente, o maior jazimento subterrâneo de cobre do mundo, o número de mortos subiu para quatro. Durante a madrugada deste domingo (3), equipes de resgate localizaram mais dois corpos, próximos ao primeiro encontrado no sábado, em meio a condições extremas e instabilidade no terreno.
A informação foi confirmada pelo promotor regional de O’Higgins, Aquiles Cubillos, que afirmou que as identidades ainda estão sendo verificadas, mas as famílias já foram notificadas. Um dos corpos encontrados no sábado foi identificado como Gonzalo Núñez Caroca.
“Continuamos atuando na mesma área porque as informações sempre indicaram que os trabalhadores estavam ali. Esperamos por resultados positivos em breve”, disse Cubillos. As operações seguem intensas e ininterruptas, coordenadas pelas equipes de emergência da Codelco — estatal chilena responsável pela mina — com o objetivo de encontrar os dois mineiros que ainda estão desaparecidos: Álex Araya Acevedo e Carlos Arancibia Valenzuela.
O acidente ocorreu na última quinta-feira (31), às 17h34, após um sismo de magnitude 4,2 atingir o setor Andesita, a cerca de 500 metros de profundidade. Segundo investigações preliminares, o tremor pode ter sido provocado por trabalhos de perfuração na galeria, localizada na região de O’Higgins, a cerca de 120 quilômetros ao sul de Santiago.
O desabamento resultou inicialmente na morte de dois trabalhadores, ferimentos em nove outros (sem risco de vida) e no desaparecimento de cinco. Três desses já foram encontrados sem vida. A galeria colapsada tem aproximadamente 90 metros de extensão e é considerada de alto risco, o que exige o uso de maquinário especializado e protocolos rigorosos de segurança por parte das equipes de resgate.
No sábado (2), o presidente do Chile, Gabriel Boric, visitou o centro de operações em Rancagua e pediu cautela quanto às especulações sobre as causas da tragédia. “Há muito a ser esclarecido, mas agora o foco absoluto deve ser o resgate. O resto será apurado depois”, afirmou. Ele também anunciou a participação de Laurence Golborne e Andrés Sougarret — que lideraram o histórico resgate dos 33 mineiros da mina San José, em 2010 — no atual esforço de salvamento.
Máximo Pacheco, presidente da Codelco, sugeriu que o colapso pode ter sido provocado pelas perfurações em curso na área. Apesar disso, nenhuma hipótese está descartada. As galerias contam com abrigos de emergência equipados com água, oxigênio e alimentos, capazes de sustentar até 20 pessoas por vários dias. “Eles estão preparados para situações assim”, relatou um funcionário à CNN Chile.
Embora a mineração no Chile seja considerada altamente tecnificada, os acidentes ainda são frequentes. Segundo dados oficiais, já foram registradas sete mortes em minas no país em 2025, principalmente nas regiões de Antofagasta e Valparaíso. O caso de El Teniente reacende o debate sobre segurança nas operações de extração mineral.
Enquanto isso, as buscas continuam sem interrupção. “Isso não cessou, nem cessará”, afirmou o promotor Cubillos. Como destacou o presidente Boric, o país inteiro segue acompanhando com esperança o desfecho do resgate.