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Fiji, conhecida mundialmente como destino de lua de mel, enfrenta a epidemia de HIV mais rápida do Pacífico, com autoridades apontando o aumento do consumo de metanfetamina como fator-chave para a disseminação da doença.
Segundo dados do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS) e do Ministério da Saúde de Fiji, os casos de HIV/AIDS no país podem dobrar em 2026, ultrapassando 3.000 registros.
Autoridades locais afirmam que o uso de drogas está impulsionando o crescimento da epidemia. Em dezembro, a Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou uma avaliação rápida que detectou práticas inseguras de injeção entre usuários de drogas, aumentando o risco de transmissão do vírus.
Um fenômeno conhecido como “tendência Bluetooth” tem agravado a situação. Nesse método, indivíduos injetam o sangue de pessoas já intoxicadas para sentir os efeitos da droga quando não podem pagar por suas próprias doses. Entre 2024 e os primeiros seis meses de 2025, foram registrados 1.583 novos casos de HIV em 2024 e 1.226 casos em 2025, segundo a avaliação. A droga mais utilizada foi a metanfetamina cristal, e 50% dos entrevistados relataram o uso de seringas potencialmente contaminadas.
Um informante ligado ao Talanoa Law and Justice explicou aos pesquisadores que o uso de drogas altera áreas do cérebro que controlam o pensamento e as emoções.
“[As pessoas] podem interpretar o que acontece ao redor de forma muito diferente. Talvez você apenas passe por alguém… e ele pense que você está atrás dele. Especialmente se não conseguem controlar os impulsos, tornam-se agressivos”, disse a fonte.
Munkhtuya Altangerel, representante do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), ressaltou que os resultados das avaliações são um alerta urgente.
“A epidemia de HIV em Fiji não é apenas uma questão de saúde — é um desafio de desenvolvimento e direitos humanos que ameaça vidas, comunidades e o progresso do país”, afirmou Altangerel. “Precisamos agir de forma decisiva e imediata, ampliando a redução de danos, o acesso a testes e tratamentos de HIV, garantindo que ninguém fique para trás.”
Apesar do alerta, Fiji continua sendo um destino turístico popular: em 2025, 986.367 pessoas visitaram o país, atraídas pelas praias de areia branca, mergulho em recifes de corais e resorts em ilhas remotas. O governo australiano, entretanto, destaca em seu alerta de viagem que o HIV/AIDS e outras doenças sexualmente transmissíveis representam riscos de saúde para turistas.
“As taxas de infecção por HIV/AIDS estão aumentando, e o governo de Fiji declarou um surto da doença. Tome precauções se participar de atividades que possam expor você ao risco de infecção”, orienta o alerta.