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The Economist chama Lula de “esquerdista caduco” e Flávio de “nepo baby vingativo”

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Revista britânica publica análises críticas ao cenário político e econômico do Brasil e afirma que a eleição de 4 de outubro oferece “pouca esperança” de mudança estrutural; publicação também aborda o escândalo do Banco Master e a desconfiança nas instituições.

A revista britânica The Economist publicou nesta quinta-feira (24) uma série de textos sobre o Brasil com fortes críticas ao cenário político e econômico do país. Em uma das análises, a publicação chamou o presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de “esquerdista caduco” e o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) de “nepo baby vingativo”, ao apresentar os dois como opções que, em sua avaliação, oferecem poucas perspectivas de mudanças estruturais.

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Editorial aponta “pouca esperança”

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Em um editorial separado, intitulado Brazil turns its back on the future (“Brasil vira as costas para o futuro”, em tradução livre), a revista afirmou que a eleição geral de 4 de outubro oferece “pouca esperança” de uma mudança de rumo e voltou a criticar tanto Lula quanto Flávio por não apresentarem, segundo sua avaliação, respostas suficientes para problemas como dívida pública, crescimento baixo e corrupção.

Críticas aos candidatos

Na análise em que usa os termos “esquerdista caduco” e “nepo baby vingativo”, a The Economist parte do potencial econômico brasileiro para argumentar que o país continua crescendo abaixo do que poderia. A revista destaca a produção de petróleo, a matriz de energia renovável, a força do agronegócio e as reservas de terras raras. Também cita que o Brasil recebeu US$ 77 bilhões em investimentos estrangeiros no ano passado, ficando atrás apenas da China entre os países em desenvolvimento.

A publicação aponta juros reais elevados, endividamento das famílias e empresas e o crescimento da dívida pública entre os obstáculos à economia. Segundo o texto, cerca de 9 milhões de empresas estão inadimplentes e o pagamento de dívidas consome aproximadamente 30% da renda média das famílias. A revista também afirma que a dívida pública se aproxima de 100% do PIB e que o peso dos juros limita recursos para investimentos.

Ainda conforme a análise, cerca de 90% do Orçamento federal já está comprometido com despesas obrigatórias, principalmente aposentadorias e outros gastos determinados por lei. Para a revista, essa estrutura reduz o espaço disponível para investimentos e outras despesas que o governo pode decidir onde aplicar.

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Ao tratar dos dois candidatos, a revista afirma que Lula avançou pouco em reformas para conter os gastos e critica sua resistência a um ajuste fiscal mais profundo. Sobre Flávio, a publicação diz que sua campanha promete maior controle das contas públicas, mas apresentou poucos detalhes sobre como pretende reduzir despesas. Segundo a The Economist, qualquer um dos dois enfrentaria dificuldades para mudar gastos protegidos por lei e enfrentar grupos com influência sobre o Orçamento.

Banco Master e desconfiança nas instituições

A mesma matéria aborda o escândalo do Banco Master. A revista cita as investigações envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro e lembra que as apurações da Polícia Federal revelaram relações dele com integrantes da classe política e do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo a publicação, o caso expôs uma situação em que parlamentares podem pressionar por investigações ou processos contra ministros do Supremo enquanto integrantes da Corte julgam casos envolvendo políticos. A revista afirma que esse cenário aumenta a desconfiança nas instituições brasileiras.

Prioridades de campanha

Ao voltar a tratar dos candidatos, a revista critica as prioridades apresentadas durante a campanha. Sobre Flávio, afirma que propostas relacionadas ao perdão do ex-presidente Jair Bolsonaro e ao confronto com ministros do STF ganharam mais espaço do que um programa detalhado de reformas econômicas. Sobre Lula, diz que o petista promete investimentos em defesa, inteligência artificial, data centers e minerais críticos, mas questiona como essas propostas seriam financiadas diante da situação das contas públicas.

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Renan Santos e instituições

O editorial também cita o candidato à Presidência Renan Santos (Missão), apresentado pela revista como um “libertário” que defende reformas estruturais profundas e cortes de gastos com o objetivo de transformar o Brasil em uma grande potência. A The Economist afirma, porém, que ele e outros candidatos de fora dos grupos de Lula e Bolsonaro ainda não conseguiram ganhar espaço suficiente diante das duas principais forças da disputa eleitoral.

Apesar do diagnóstico negativo, o editorial destaca instituições que, na avaliação da revista, continuam funcionando. A publicação cita a atuação da Polícia Federal em investigações, “uma imprensa independente” e a “reputação internacional do corpo diplomático” brasileiro como sinais de que o país mantém mecanismos capazes de reagir a crises políticas e institucionais.

Durigan defende política fiscal de Lula

O terceiro texto sobre o Brasil publicado pela revista foi um artigo assinado pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, no qual ele defende a política fiscal do governo. Sob o título Lula has the right fiscal policy for Brazil (“Lula tem a política fiscal certa para o Brasil”, em tradução livre), Durigan afirma que o governo vem promovendo um ajuste gradual das contas públicas sem abandonar programas sociais.

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Segundo o ministro, o déficit primário, que estava pouco acima de 2% do PIB em 2023, deve cair para 0,6% em 2026. Durigan também cita o novo arcabouço fiscal aprovado em 2023 e afirma que as despesas primárias permaneceram próximas de 19% do PIB desde a entrada em vigor das novas regras. No artigo, reconhece que o crescimento da dívida pública preocupa o governo, mas sustenta que a administração pretende continuar o processo de consolidação fiscal até alcançar superávits.

O ministro também atribui ao governo Lula a queda do desemprego e da pobreza, a valorização real do salário mínimo e a retirada do Brasil do Mapa da Fome das Nações Unidas. Segundo ele, essas medidas foram adotadas ao mesmo tempo em que o governo buscou melhorar o resultado das contas públicas.

Ao final do artigo, a The Economist informou que também convidou a equipe econômica de Flávio Bolsonaro a apresentar sua visão sobre a economia brasileira. Segundo a revista, a campanha recusou o convite.

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