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O embaixador do Irã no Brasil, Abdollah Nekounam, agradeceu nesta segunda-feira (2) as manifestações do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva após os ataques dos Estados Unidos contra o território iraniano, iniciados na madrugada de sábado (28).
Em entrevista a jornalistas, o diplomata afirmou que a posição brasileira ao condenar a ofensiva foi “valorosa”. “Nós recebemos as manifestações do governo brasileiro sobre os ataques dos EUA e do regime sionista de Israel e agradecemos a condenação dos atos de agressão”, declarou.
Ele acrescentou: “Acreditamos e vemos essa ação da parte do governo do Brasil como uma ação valorosa que dá atenção aos valores do ser humano, soberania, integridade territorial e independência dos governos”.
Segundo Nekounam, ainda não há números exatos sobre vítimas no conflito. Em relação a cidadãos brasileiros que estejam no Irã, ele disse acreditar que não há mortos ou feridos, mas ressaltou que “a embaixada fará sua avaliação”.
As declarações ocorrem em meio à escalada da tensão envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel. O embaixador mencionou que o acordo nuclear firmado anteriormente foi interrompido após decisão dos EUA em 2018 e afirmou que as recentes negociações em Viena também teriam sido afetadas pelas ações militares.
O representante iraniano declarou que Teerã sempre defendeu o direito ao uso pacífico da energia nuclear e afirmou possuir resoluções da Agência Internacional de Energia Atômica que comprovariam a regularidade das atividades do país.
Nekounam afirmou ainda que o Irã responderá “de forma clara e firme” caso ocorram novos ataques. Ele também negou qualquer sinal de desorganização institucional após a morte do líder supremo durante o conflito, destacando que a Constituição iraniana prevê a formação de um conselho provisório para assegurar a transição e a continuidade da administração do Estado.
Sobre possíveis impactos econômicos, inclusive nas relações comerciais com o Brasil, o diplomata avaliou que ainda é cedo para uma análise detalhada, mas disse que os laços bilaterais tendem a seguir “de forma natural” ao longo do tempo.
Por fim, o embaixador classificou o cenário atual como parte de uma “geopolítica complexa”, criticou o que chamou de unilateralismo dos Estados Unidos e afirmou que o Irã está preparado para “as piores situações possíveis”, sustentando que as ações do país se enquadram no direito legítimo de defesa.