Entre nos nossos canais do Telegram e WhatsApp para notícias em primeira mão. Telegram: [link do Telegram]
WhatsApp: [link do WhatsApp]
O governo dos Estados Unidos rejeitou a proposta do Vietnã de zerar tarifas sobre produtos norte-americanos, alegando que apenas a promessa de livre comércio não é suficiente diante do que considera práticas comerciais desleais.
Peter Navarro, assessor de comércio da Casa Branca, afirmou nesta segunda-feira (7) que a oferta vietnamita “não significa nada” se não houver medidas contra o chamado “fraude não tarifária”. Em entrevista ao programa Squawk Box, da CNBC, Navarro explicou que isso inclui triangulação de produtos chineses, roubo de propriedade intelectual e o uso do Imposto sobre Valor Agregado (IVA) como uma barreira comercial disfarçada.
“Quando dizem que vão aplicar tarifa zero, isso não muda nada para nós. O que realmente importa é o combate ao uso indevido de regras para mascarar produtos ou impedir acesso justo ao mercado”, declarou Navarro. Segundo ele, há indícios de que produtos fabricados na China estariam entrando nos Estados Unidos como se fossem vietnamitas, o que acende um alerta em Washington.
As declarações foram feitas após o ex-presidente Donald Trump divulgar, em sua rede Truth Social, que To Lam, secretário-geral do Partido Comunista do Vietnã, teria se comprometido a eliminar completamente as tarifas sobre exportações norte-americanas. Navarro, no entanto, minimizou a promessa e classificou-a como “um pequeno primeiro passo”.
Na semana passada, Trump anunciou um novo pacote de tarifas, incluindo uma alíquota de 46% sobre importações vindas do Vietnã, o que provocou forte reação nos mercados. O índice VanEck Vietnam (VNM), negociado em Nova York, caiu 10% após o anúncio, refletindo a preocupação dos investidores quanto ao futuro das relações comerciais entre os dois países.
O Vietnã vem ganhando destaque como centro global de manufatura, sendo sede de fábricas de grandes marcas dos EUA, como a Nike. Esse protagonismo crescente também tem atraído maior atenção da administração americana, que cobra mais transparência e respeito às normas internacionais.
Navarro também criticou o uso do IVA por parte de outros países, que considera uma forma de barreira comercial injusta. “Tentamos desde os anos 70 na OMC reduzir o impacto do IVA, mas sempre fomos ignorados”, afirmou. Ele adiantou que o tema deve surgir novamente em negociações futuras com a União Europeia.
“Trump vai ouvir propostas de grandes acordos”, diz assessor
O conselheiro econômico da Casa Branca, Kevin Hassett, minimizou os temores sobre os impactos econômicos das novas tarifas adotadas por Trump. Em entrevista à Fox News, Hassett disse que o ex-presidente conversou com diversos líderes mundiais durante o fim de semana e está aberto a ouvir propostas de grandes acordos.
“Ele está dobrando a aposta em algo que sabe que funciona e vai continuar nessa linha”, afirmou Hassett, que preside o Conselho Econômico Nacional. “Mas também está disposto a ouvir nossos parceiros comerciais, especialmente se as propostas forem boas para a indústria e para os agricultores norte-americanos.”
Hassett destacou que Trump recebeu contatos de autoridades de vários países, incluindo Taiwan e Israel. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, tem encontro marcado com Trump na Casa Branca, com foco na política comercial e no Oriente Médio.
Segundo o conselheiro, há países “fazendo fila” para negociar novos acordos com os Estados Unidos.