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Um estudo publicado na revista Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences revelou que, entre abril de 2023 e abril de 2024, 19.291 pessoas foram internadas no Brasil para tratar o câncer de pâncreas, com 3.834 mortes registradas no período. A região Sudeste concentrou o maior número de óbitos (49,13%), enquanto a região Norte apresentou a maior taxa de mortalidade proporcional (25,97 por 100 mil habitantes).
Altamente agressivo, o câncer de pâncreas se desenvolve a partir do crescimento anormal de células nesse órgão vital, responsável por funções como a digestão e o controle do açúcar no sangue. A doença é uma das mais letais porque costuma ser detectada em estágios avançados — os sintomas iniciais são vagos e frequentemente confundidos com outras condições.
“O pâncreas fica localizado profundamente no abdômen, e os sintomas iniciais, como dor nas costas, fadiga, perda de peso ou desconforto digestivo, são vagos e frequentemente confundidos com outros problemas menos graves”, explica a médica Diane Simeone, diretora do Moores Cancer Center da UC San Diego Health ao jornal The New York Post.
Um sinal mais evidente, porém, é a icterícia, caracterizada pelo amarelamento da pele e da parte branca dos olhos. Segundo Simeone, esse é um sintoma comum em casos de câncer de pâncreas, o que reforça a importância da triagem e do diagnóstico precoce.
O que é a icterícia?
A icterícia ocorre quando há um excesso de bilirrubina no sangue — um pigmento amarelado produzido na quebra de células vermelhas. O fígado é o principal órgão responsável pela eliminação dessa substância, mas, quando há um tumor bloqueando os canais biliares ou comprometendo a função hepática, o acúmulo de bilirrubina leva ao amarelamento da pele e dos olhos.
Outros sintomas incluem urina escura, fezes claras, coceira na pele e, em alguns casos, dor abdominal. “O excesso de bilirrubina é excretado pelos rins, escurecendo a urina e impedindo que chegue aos intestinos, o que leva às fezes claras”, explica Simeone. “A coceira ocorre porque os ácidos biliares que não são eliminados normalmente se acumulam na pele e estimulam terminações nervosas.”
Icterícia pode indicar câncer de pâncreas — e outras doenças
Embora seja um sintoma frequente quando o tumor está localizado na cabeça do pâncreas, a icterícia também pode ser causada por outras condições, como hepatite, cirrose, câncer de fígado, cálculos biliares, infecções, doenças genéticas ou efeitos colaterais de medicamentos. Em recém-nascidos, por exemplo, a icterícia é comum devido à imaturidade do fígado.
Como o câncer de pâncreas é diagnosticado?
O rastreamento geralmente é indicado para pessoas com histórico familiar da doença, mutações genéticas associadas ao risco elevado ou condições como pancreatite crônica.
Exames como ressonância magnética, tomografia computadorizada e ultrassonografia endoscópica ajudam a visualizar o pâncreas e identificar possíveis tumores. Quando uma massa é detectada, uma amostra de tecido pode ser coletada para confirmar se é cancerosa e qual o estágio da doença.
Simeone destaca também o papel de exames de sangue, como os testes de função hepática, hemogramas e marcadores tumorais, como o CA 19-9 — proteína frequentemente liberada por células de câncer de pâncreas na corrente sanguínea.
A médica coordena o consórcio PRECEDE (Pancreatic Cancer Early Detection Consortium), que acompanha mais de 9.500 pessoas de alto risco com o objetivo de desenvolver ferramentas para detecção precoce da doença, incluindo exames de sangue capazes de identificá-la ainda em estágio inicial.
Como é feito o tratamento?
O tratamento varia conforme o estágio da doença e pode envolver cirurgia, quimioterapia, radioterapia, terapias-alvo, imunoterapia e cuidados paliativos.
“A remoção cirúrgica do tumor só costuma ser eficaz antes que o câncer se espalhe”, alerta Simeone. “Por isso a detecção precoce é tão crucial — e esse é o foco principal do PRECEDE.”