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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criticou nesta quarta-feira (10) a incursão de pelo menos 19 drones russos no espaço aéreo polonês, derrubados por forças de vários países europeus sob coordenação da OTAN.
“Que história é essa da Rússia violando o espaço aéreo da Polônia com drones? Lá vamos nós!”, escreveu Trump em sua plataforma Truth Social.
Segundo um funcionário da Casa Branca, que falou à AFP sob condição de anonimato, estava previsto que Trump conversasse nesta quarta com o presidente polonês Karol Nawrocki sobre a situação.
O incidente ocorreu horas após a Polônia informar que os drones russos haviam penetrado seu território durante sete horas, sendo abatidos com auxílio de aliados da OTAN. O primeiro-ministro polonês, Donald Tusk, classificou a ação como um “ato de agressão” e informou ao parlamento que nove locais de impacto foram identificados, alguns a centenas de quilômetros da fronteira.
“Algo novo, no pior sentido da palavra, é a direção de onde vieram os drones. Pela primeira vez, uma parte significativa veio diretamente de Belarus, e não da Ucrânia”, declarou Tusk.
Embora o espaço aéreo polonês tenha sido violado diversas vezes desde a invasão russa à Ucrânia em 2022, este episódio representa a maior escala de incursão registrada em território da OTAN. Um porta-voz da aliança afirmou que foi a primeira vez que confrontaram uma ameaça potencial em seu espaço aéreo aliado.
A OTAN se reuniu para discutir o incidente, ocorrido três dias após o maior ataque aéreo russo contra a Ucrânia desde o início da guerra. Defesas aéreas da aliança apoiaram a Polônia, incluindo jatos F-35 da Holanda, que interceptaram os drones, segundo o ministro da Defesa, Ruben Brekelmans.
Tusk informou ainda que foram realizadas consultas sob o Artigo 4 do Tratado da OTAN, que permite discussões urgentes entre aliados. “Esta situação nos aproxima mais do que nunca de um conflito aberto desde a Segunda Guerra Mundial”, alertou, embora tenha afirmado que não há motivo para declarar estado de guerra.
O ministro da Defesa da Alemanha, Boris Pistorius, destacou que os drones “foram claramente direcionados de forma deliberada” e não se tratou de erro de navegação.
Enquanto isso, o Ministério da Defesa russo negou ataques à Polônia, e Belarus afirmou que alguns drones “perderam a rota” por interferências externas. Segundo Moscou, os ataques visavam instalações militares na Ucrânia próximas à fronteira polonesa.
O presidente ucraniano Volodimir Zelensky classificou o episódio como um “precedente extremamente perigoso para a Europa” e pediu que a Rússia “sofra consequências”. “Não foi apenas um drone Shahed, que poderia ser um acidente, mas pelo menos oito drones de ataque direcionados à Polônia”, declarou.
A chefe de política externa da União Europeia, Kaja Kallas, afirmou que a guerra russa “está escalando, não terminando” e que o ataque em solo polonês representa uma mudança significativa, exigindo sanções mais severas.
O incidente ocorre poucos dias antes dos exercícios militares Zapad-2025, programados de 12 a 16 de setembro em Rússia e Belarus, levando Tusk a classificar os próximos dias como “críticos” para a segurança da Polônia.