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Comissão da ONU acusa Israel de genocídio em Gaza

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Uma Comissão Internacional Independente de Investigação das Nações Unidas concluiu nesta terça-feira (16) que Israel cometeu genocídio contra os palestinos em Gaza durante a ofensiva desencadeada após os ataques do grupo terrorista Hamas em outubro de 2023.

O grupo de especialistas, presidido pela jurista Navi Pillay, apresentou um extenso relatório à imprensa, dirigido tanto ao governo israelense quanto à comunidade internacional.

“As autoridades israelenses e as forças de segurança cometeram quatro dos cinco atos que constituem genocídio”, afirmou Pillay, explicando que os atos incluem: assassinato deliberado, causar graves danos físicos ou mentais, impor condições de vida que possam levar à destruição total ou parcial do grupo palestino e aplicar medidas para impedir nascimentos no grupo afetado.

Um oficial militar israelense declarou, em encontro virtual com a imprensa, que a acusação de genocídio pela ONU “não tem fundamento”. O oficial, que preferiu manter anonimato, afirmou que nenhum país em situação de escassez de água forneceu 14 milhões de litros diários de sua própria água e foi acusado de genocídio.

Impactos sobre a população

O relatório de Pillay, que já presidiu o Tribunal Penal Internacional para Ruanda, alerta para a queda abrupta da expectativa de vida em Gaza, de 75,5 anos antes do conflito para apenas 40,5 anos recentemente, podendo chegar a 34,9 anos conforme medições atuais. A comissão ressalta que esses números não consideram efeitos da desnutrição, falta de assistência médica e violência contínua, indicando uma situação ainda mais grave.

O documento também destaca a destruição de uma clínica de fertilidade em Gaza, com perda de cerca de 4.000 embriões e 1.000 amostras de esperma e óvulos não fertilizados, causando danos psicológicos às pessoas que aguardavam recorrer a esses métodos para ter filhos.

Responsabilidade do Estado de Israel

Segundo a Comissão, a responsabilidade pelo genocídio recai sobre as mais altas instâncias do governo israelense.

“A responsabilidade por esses crimes atrozes recai sobre as autoridades israelenses em suas mais altas instâncias, que orquestraram uma campanha genocida durante quase dois anos com a intenção específica de destruir o grupo palestino em Gaza”, afirmou Pillay.

O relatório aponta diretamente o presidente Isaac Herzog, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e o ex-ministro da Defesa Yoav Gallant como responsáveis e incitadores desses atos.

A Comissão critica também a falta de ação interna, ressaltando que Israel não preveniu, investigou ou processou atos relacionados ao genocídio, descumprindo padrões internacionais de justiça. A revisão de declarações de outros responsáveis políticos e militares segue em andamento.

Recomendações e alerta internacional

O órgão da ONU pede que Israel cesse imediatamente o genocídio em Gaza e cumpra medidas provisórias da Corte Internacional de Justiça, como prevenir novos atos de genocídio, investigar crimes, preservar evidências e permitir a entrada de ajuda humanitária.

“Israel deve pôr fim à sua política de fome, levantar o cerco e garantir o acesso irrestrito de ajuda humanitária em larga escala”, ressaltou Pillay.

O relatório também critica a comunidade internacional, acusando-a de complicidade passiva por não agir diante das evidências de genocídio, lembrando que os Estados têm a obrigação de responsabilizar qualquer participação direta ou indireta, de indivíduos ou empresas, nos atos denunciados.

“A comunidade internacional não pode permanecer em silêncio diante da campanha genocida lançada por Israel contra o povo palestino em Gaza. Quando surgem sinais e provas claras de genocídio, a ausência de ação equivale a cumplicidade”, conclui o documento.

A comissão, que inclui o jurista australiano Chris Sidoti, afirma que a análise e documentação das provas continuarão, visando ampliar a responsabilização interna e internacional.

(Com informações da EFE)

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