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Rússia e Estados Unidos negociam, nas últimas horas, uma possível extensão do New START, o último tratado que limita os arsenais nucleares das duas maiores potências atômicas do mundo. O acordo expira oficialmente nesta quinta-feira, o que pode deixar sem qualquer restrição mais de 80% das ogivas nucleares existentes no planeta.
Segundo três fontes ouvidas pelo site Axios, um rascunho de acordo já está em discussão, mas ainda precisa do aval final dos presidentes dos dois países. Apesar de o tratado expirar formalmente hoje, um funcionário do governo americano afirmou que a prorrogação não será legalmente formalizada de imediato.
Mesmo assim, Washington e Moscou teriam concordado em seguir temporariamente os termos do tratado enquanto negociam um novo acordo que substitua o New START.
As conversas ganharam força após negociações paralelas realizadas em Abu Dhabi, onde enviados do então presidente dos EUA, Donald Trump — Steve Witkoff e Jared Kushner — trataram do tema com autoridades russas à margem das discussões sobre a guerra na Ucrânia.
Na quarta-feira, o presidente russo Vladimir Putin fez um alerta ao afirmar que a Rússia não estaria mais “vinculada” a limites nucleares e que teria liberdade para decidir seus próximos passos. Nesta quinta, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, reforçou o tom de incerteza: “O que acontecerá a seguir depende de como os eventos irão se desenrolar”.
A possível extinção do tratado gerou preocupação internacional. O secretário-geral da ONU, António Guterres, classificou o momento como “grave”. Segundo ele, “a dissolução de décadas de avanços não poderia ocorrer em pior momento”, destacando que o risco de uso de armas nucleares é o maior das últimas décadas.
Embora Trump já tenha sinalizado apoio à manutenção de limites nucleares, ele defende a inclusão da China em um novo tratado. Pequim, no entanto, rejeita essa possibilidade. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Lin Jian, afirmou que o arsenal nuclear do país é “de uma escala totalmente diferente” da dos EUA e da Rússia e que a China não participará de negociações de desarmamento neste momento.
Mesmo com um arsenal menor, a China tem o crescimento mais acelerado do mundo no setor nuclear. De acordo com o Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo (SIPRI), o país adiciona cerca de 100 novas ogivas por ano desde 2023.
Na quarta-feira, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, reiterou que um controle efetivo de armas seria “impossível” sem a participação chinesa.
O New START foi assinado em 2010 pelos então presidentes Barack Obama e Dmitry Medvedev. O tratado limitava cada país a 1.550 ogivas nucleares, além de restrições a mísseis e bombardeiros prontos para uso. Inicialmente previsto para expirar em 2021, o acordo foi prorrogado por cinco anos.
O tratado também previa inspeções presenciais para verificação do cumprimento das regras, suspensas em 2020 por causa da pandemia de covid-19 e nunca retomadas. Em fevereiro de 2023, Putin suspendeu a participação da Rússia no acordo, alegando tensões com a Otan e os Estados Unidos por causa da guerra na Ucrânia, embora Moscou não tenha se retirado formalmente do pacto.
O New START é o último de uma longa série de tratados nucleares entre EUA e Rússia — todos já encerrados. Às vésperas de sua expiração, o Relógio do Juízo Final, que simboliza o quão próxima a humanidade está de uma catástrofe global, avançou para o ponto mais próximo da meia-noite já registrado.