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Um medicamento já disponível no sistema de saúde britânico (NHS) pode reproduzir alguns dos benefícios do exercício, ajudando no controle de peso e na proteção do coração, mesmo em pessoas que não praticam atividades físicas regularmente.
A metformina, utilizada por cerca de três milhões de pacientes com diabetes tipo 2, custa apenas 2 centavos de libra por comprimido e já havia sido associada à redução do risco de câncer. Agora, cientistas apontam que o medicamento também pode aumentar os níveis de uma molécula liberada durante a atividade física – contribuindo para o controle da glicemia e para a saúde cardiovascular em pessoas com limitações para se exercitar.
O estudo, conduzido por pesquisadores da University of Miami Miller School of Medicine e publicado na revista EMBO Molecular Medicine, analisou os efeitos da metformina em 29 homens diagnosticados com câncer de próstata.
“Do ponto de vista clínico, observar um sinal metabólico que reflete o que associamos ao exercício intenso foi impressionante”, afirmou o oncologista médico e autor principal, Dr. Marijo Bilusic. “Para pacientes cujos tratamentos ou sintomas limitam a atividade física, esse tipo de efeito pode ser especialmente significativo.”
Os pesquisadores analisaram amostras de sangue para medir o impacto da medicação sobre a N-lactoil-fenilalanina (Lac-Phe) – uma molécula produzida pelo corpo durante o exercício, conhecida por reduzir o apetite e auxiliar na perda de peso.
Os resultados mostraram que, embora a metformina não trate diretamente o câncer de próstata, ela elevou os níveis de Lac-Phe nos pacientes sem a necessidade de qualquer atividade física. Isso abre caminho para novas pesquisas sobre o potencial do medicamento, especialmente para pacientes oncológicos que frequentemente sofrem com fadiga e dificuldades para se exercitar.
“O metabolismo está envolvido em tudo o que as células fazem”, disse David Lombard, pesquisador do Sylvester e professor de patologia e medicina laboratorial da Miller School. “Esses achados sugerem que a Lac-Phe pode ser um indicador importante para entender como a metformina afeta o metabolismo em pacientes com câncer de próstata.”
O Dr. Bilusic destacou que o estudo não identificou um novo marcador de câncer, mas trouxe “uma compreensão mais clara de como um medicamento amplamente usado pode apoiar a saúde metabólica durante o tratamento do câncer de próstata – um resultado que importa tanto para pacientes quanto para médicos.”
A equipe de pesquisa ressalta que mais estudos são necessários, mas reforça que “o cuidado com o câncer não se resume apenas a atacar tumores”.
Priyamvada Rai, professora de oncologia radioterápica da Miller School, acrescentou: “Apoiar a saúde metabólica pode influenciar como os pacientes toleram o tratamento e como se sentem ao longo do tempo, mesmo que isso não altere diretamente o crescimento do tumor. Este estudo permitiu investigar caminhos moleculares que podem ser ativados terapeuticamente para melhorar os resultados de tratamentos que induzem estresse metabólico.”
Pesquisas anteriores já relacionaram a metformina a um menor risco de câncer de esôfago e sugerem que a medicação também pode ajudar a proteger contra o câncer de próstata. O medicamento é normalmente prescrito para diabetes quando dieta e exercícios sozinhos não são suficientes para controlar os níveis de glicose.
O NHS informa que a metformina também é usada para melhorar a fertilidade em mulheres com síndrome do ovário policístico, condição que pode causar ciclos irregulares, aumento dos ovários e excesso de hormônios masculinos, resultando em pelos faciais.
Além disso, a medicação tem recebido atenção como possível agente anticâncer, com estudos sugerindo que ela pode retardar o crescimento de células malignas ao reduzir os níveis de insulina, hormônio que ajuda na multiplicação dessas células.