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A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta sexta-feira (12) a Operação Transparência, com o objetivo de investigar irregularidades na destinação de recursos públicos por meio de emendas parlamentares, conhecidas como Orçamento Secreto, no total de R$ 4,2 bilhões. A ação mira Mariângela Fialek, conhecida como Tuca, ex-assessora do deputado federal Arthur Lira (PP-AL), atualmente lotada na liderança do Partido Progressista (PP) na Câmara dos Deputados.
Segundo o procurador-geral da República, Paulo Gonet, depoimentos e análises da PF indicam que Mariângela atuava no controle de indicações desviadas de emendas parlamentares, favorecendo uma organização criminosa voltada à prática de desvios funcionais e crimes contra a administração pública e o sistema financeiro nacional.
Embora ligada à liderança do PP, Mariângela também assessa atualmente o deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), mantendo funções semelhantes às que exercia com Lira, o que reforça seu conhecimento especializado sobre a alocação de emendas parlamentares.
O procurador ressaltou que planilhas e arquivos armazenados na nuvem, além de dados telemáticos, indicam que a servidora tinha papel central na distribuição irregular de recursos, enquanto o STF autorizava a deflagração da operação por meio do ministro Flávio Dino, relator de processos relacionados a emendas parlamentares.
Durante a operação, foram cumpridos mandados de busca e apreensão na casa e no local de trabalho de Mariângela. O celular da servidora e outros pertences foram apreendidos, e policiais estiveram em salas utilizadas por ela na Câmara, incluindo uma sala destinada à Presidência da Casa, utilizada por Mariângela desde 2022, na gestão de Lira.
A investigação da PF aponta que a distribuição de recursos era feita de forma informal, muitas vezes com anotações manuscritas, sem registro formal ou justificativa técnica, como no caso da transferência de recursos inicialmente previstos para Nova Russas (CE), realocados para Reriutaba (CE) a pedido do deputado Júnior Mano (PSB-CE), que é alvo de outra investigação por suspeita de desvio de emendas.
Em seu despacho, o ministro Flávio Dino destacou o caráter informal do controle do orçamento: “Lamentavelmente, não há como não comparar a maneira de controlar e organizar o orçamento secreto coordenado por Tuca a uma ‘conta de padaria’. Milhões em recursos públicos eram direcionados a partir de comandos verbais, sem qualquer preocupação com projetos ou interesses republicanos”.
O ex-presidente da Câmara, Arthur Lira, não é alvo da operação, que ainda ouviu parlamentares como Glauber Braga (PSol-RJ), José Rocha (União-BA), Adriana Ventura (Novo-SP), Fernando Marangoni (União-SP), Dr. Francisco (PT-PI) e o senador Cleitinho (Republicanos-MG), como parte da investigação sobre desvios no orçamento secreto.
A Operação Transparência reforça a atenção da PF e da PGR na fiscalização da alocação de emendas parlamentares, buscando responsabilizar servidores e parlamentares envolvidos em irregularidades que afetam diretamente o uso de recursos públicos no país.