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Na noite de terça-feira (16), sindicatos de trabalhadores dos Correios iniciaram uma greve por tempo indeterminado em protesto contra medidas adotadas pela estatal e a ausência de acordo coletivo e reajuste salarial. Ao todo, 12 sindicatos em nove estados decidiram parar as atividades, enquanto outros 24 permanecem em estado de greve, com indicativo de paralisação a partir do dia 23 de dezembro. Entre os estados afetados estão São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro.
De acordo com os Correios, a adesão à greve é parcial e localizada, e todas as agências continuam funcionando. A estatal informou que adotou medidas contingenciais para garantir a continuidade dos serviços essenciais à população e que mantém negociações com representantes dos trabalhadores sob mediação do Tribunal Superior do Trabalho (TST).
Reivindicações da categoria
Os trabalhadores reivindicam reajuste salarial, a manutenção de benefícios como adicional de 70% nas férias, pagamento em dobro nos finais de semana e o chamado “vale-peru” no valor de R$ 2.500. Eles alegam que não podem ser penalizados pela crise financeira da empresa e cobram que a direção apresente uma proposta de aumento baseada na inflação.
Segundo Emerson Marinho, secretário-geral da Fentect (Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares), a greve é resultado da postura da administração da estatal, que teria desconsiderado os trabalhadores na definição de medidas para enfrentar a crise. “Embora o indicativo da categoria fosse de paralisação no dia 23, algumas entidades optaram por iniciar a greve imediatamente para sinalizar ao governo o descontentamento”, afirmou.
A Fentect e a Findect (Federação Interestadual dos Empregados dos Correios) devem se reunir ainda nesta quarta-feira (17) com representantes do governo para continuar as negociações de acordo coletivo.
Negociações e contexto financeiro da estatal
O impasse se arrasta desde julho, quando venceu o atual Acordo Coletivo de Trabalho (ACT), negociado pela diretoria anterior dos Correios. Desde então, o ACT vem sendo prorrogado enquanto a empresa enfrenta prejuízo acumulado de R$ 6,1 bilhões até setembro.
A estatal tentou obter um empréstimo de R$ 20 bilhões junto a bancos, com garantia do Tesouro Nacional, mas a operação foi rejeitada. Atualmente, está em análise no Ministério da Fazenda uma proposta de empréstimo de R$ 12 bilhões, que deverá integrar o plano de reestruturação da empresa.
O TST vem mediando reuniões entre sindicatos e a direção dos Correios desde quinta-feira (11), incluindo encontros na segunda-feira (15) e na terça-feira (16), sem que tenha sido alcançado um acordo.
Sindicatos em greve: Sintect/MG, Sintcom/PR, Sintect/PB, Sintect/VP (São José dos Campos-SP), Sintect/RS, Sintect/SC, Sintect/CE, Sintect/MT, Sintect-CAS (Campinas-SP), Sintect/RJ, Sintect/SP, Sintect/Santos.