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A crise envolvendo as negociações entre o Banco de Brasília (BRB) e o Banco Master atingiu o Palácio do Buriti nesta sexta-feira (23). Partidos de oposição protocolaram, na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), dois pedidos de impeachment contra o governador Ibaneis Rocha (MDB). O político é acusado de crime de responsabilidade e improbidade administrativa ao apoiar uma operação financeira que, segundo órgãos de controle, colocou em risco o patrimônio público.
Os pedidos são assinados por lideranças de peso, como o ex-governador Rodrigo Rollemberg (PSB), o ex-ministro Ricardo Cappelli e o ex-senador Cristovam Buarque (Cidadania), além de parlamentares do PSOL, como Fábio Félix e Max Maciel. A tramitação, no entanto, depende do presidente da CLDF, Wellington Luiz (MDB), que é aliado e colega de partido do governador.
O “buraco” bilionário e a intervenção do Banco Central
O caso ganhou gravidade após o Banco Central determinar a liquidação extrajudicial do Banco Master. A autoridade monetária identificou suspeitas de fraude na venda de carteiras de crédito do Master para o BRB no valor de R$ 12,2 bilhões.
Investigações do Ministério Público apontam que o BRB injetou um total de R$ 16,7 bilhões no Master entre 2024 e 2025. Para os autores do pedido de impeachment, a tentativa de compra não visava fortalecer o banco público, mas sim “ocultar um passivo relevante do Master dentro de uma estrutura pública”, transferindo riscos privados para o Estado.
Ibaneis nega irregularidades em reuniões com dono do banco
Nesta sexta-feira, o governador Ibaneis Rocha confirmou ter se reunido ao menos quatro vezes com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, entre 2024 e 2025. Ibaneis, no entanto, negou que a compra da instituição tenha sido pauta dos encontros.
A oposição rebate a defesa, afirmando que o governador cometeu “omissão dolosa” ao politizar a decisão técnica do Banco Central e atribuir a rejeição da compra a interferências partidárias, em vez de determinar uma apuração interna sobre as irregularidades na diretoria do BRB.
As acusações
Os pedidos de impeachment sustentam que Ibaneis Rocha incorreu em:
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Gestão temerária de instituição financeira;
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Atos de improbidade administrativa;
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Crimes contra as finanças públicas.
Se aceitos, os pedidos iniciam um longo rito jurídico e político na Câmara Legislativa, que pode resultar no afastamento definitivo do governador caso os crimes de responsabilidade sejam comprovados em votação de plenário.