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🧡 Ver Ofertas na ShopeeO senador e presidente do Progressistas (PP), Ciro Nogueira (PI), criticou nesta sexta-feira (26) a fragmentação da direita brasileira e afirmou que a falta de união pode comprometer o que considera uma chance real de vitória na eleição presidencial de 2026.
“Já está passando de todos os limites a falta de bom senso na direita, digo aqui a centro-direita, a própria direita e seu extremo. Ou nos unificamos ou vamos jogar fora uma eleição ganha outra vez. Por mais que tenhamos divergências, não podemos ser cabo eleitoral de Lula, do PT e do Psol. Não podemos fazer isso com o Brasil”, escreveu o senador em publicação no X (antigo Twitter).
A declaração ocorre um dia após o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) afirmar que pretende disputar a Presidência no próximo ano, caso o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) permaneça inelegível. Bolsonaro foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado, e cumpre prisão domiciliar desde agosto.
“Eu sou, na impossibilidade de Jair Bolsonaro, candidato a presidente da República. Por isso que o sistema corre e se apressa para tentar me condenar em algum colegiado, que seja na 1ª Turma do STF, para tentar me deixar inelegível”, declarou Eduardo em entrevista ao portal Metrópoles.
As críticas de Ciro geraram reação do jornalista Paulo Figueiredo, que acusou setores da direita de insistirem em “acordos Caracu com o establishment” e de não entenderem que a “crise diplomática com os EUA só terá fim com anistia ampla, geral e irrestrita”.
Em resposta, Ciro defendeu a libertação de Jair Bolsonaro e comparou a atual conjuntura política brasileira à experiência da Venezuela sob Hugo Chávez.
“Tenho duas grandes preocupações. Primeira: a oposição a Chávez imaginava que haveria uma alternância de poder que até hoje nunca aconteceu e o país só derreteu. Segunda: acho uma crueldade deixar um homem de bem e honesto, como Jair Bolsonaro, preso por muito mais tempo, nas condições de saúde em que está, ameaçando a vida dele, caso a oposição não vença as eleições do ano que vem”, escreveu.
O senador também resgatou a redemocratização brasileira para argumentar sobre a necessidade de pragmatismo. “Foi assim que foi feita a redemocratização: seu avô [o ex-presidente João Figueiredo], tenho certeza, ficou mais satisfeito com a vitória de Tancredo no Colégio Eleitoral do que abalado com a derrota do candidato oficial”, disse a Paulo Figueiredo.
Teve resposta com textão de Ciro Nogueira:
Paulo, sua reflexão sobre a Venezuela, em inúmeros pontos, é oportuna e, na essência — a resultante da ditadura —, um ponto de convergência.
Sua reflexão, porém, sobre o que eu disse não parece expressar a melhor clareza nem do meu, nem do seu pensamento. Não atribuo a você o que não disse e, num debate respeitoso, espero que não coloque palavras em minha boca. Não é intelectualmente honesto. Jamais disse que vivemos numa Venezuela, nem reconheci o Brasil como uma ditadura.
O que disse — e repito — é que, depois de um Lula 4, poderemos ter plantado as condições históricas e políticas para uma impossibilidade completa de retorno da paridade de armas eleitoral: a primeira fase do chavismo, com um populismo crescente, a expropriação gradual dos meios de produção, o capitalismo dos companheiros, o aumento do bolsismo e o empobrecimento do país. Não vivemos isso ainda, e é por isso que temos chance de virar esta página do presente sem ter que enfrentar um futuro medonho que hoje é a realidade da Venezuela.
Você não me conhece bem. Mas meu estado, o Piauí, é há mais de duas décadas governado pelo PT. Nesse período, o que era para ser uma etapa se tornou um pesadelo, e o meu amado Piauí estagnou. Só não está pior porque, durante o governo Bolsonaro, como chefe da Casa Civil, pudemos levar inúmeros avanços para o povo e, eu, no Senado, já levei recursos para todos os municípios do estado.
A Venezuela, para mim — o controle da mídia, a cooptação de tudo e de todos, a perpetuação no poder — não é em Caracas. É onde combato politicamente como cidadão, na minha rinha, na oposição, sem benesses, enfrentando o aparelhamento em todo o lugar. Não vivo nos palácios do Piauí. Vivo nas ruas.
Com relação ao presidente Bolsonaro, ao usar o recurso retórico de que eu estaria transmitindo uma “ameaça”, intimidação, seja lá o que seja, ao falar da minha convicção de que, se não vencermos as eleições, as chances de encaminharmos uma solução que possa tirar esse homem de bem da prisão e impedir que sua saúde delicada seja colocada em risco diminuem, acho que ali sua vocação de provocador, como pessoa do mundo das comunicações, falou mais alto do que a de debatedor equilibrado que, na maioria do tempo, procura expor.
Não transmito ameaças nem em meu nome nem em nome de ninguém, Paulo. Assim como acredito que você não destila bravatas, nem em seu nome nem em nome de ninguém. E, se tiver a humildade de pedir desculpas por essa colocação infeliz, isso só o engrandecerá.
No essencial, temos sim visões distintas sobre a realidade do país: não parto do pressuposto de que as suas são nem erradas nem infalíveis. O mesmo direito dou a todos em relação às minhas. Alguns acham que a Direita Raiz tem condições políticas e eleitorais de ganhar a eleição, mesmo sem ter um candidato hoje na prateleira, já que, no mundo real da política no Brasil de hoje, não teremos um sobrenome Bolsonaro candidato a presidente, a não ser que dona Michele se dispusesse ou Flávio, já que é público e notório que a ausência do deputado Eduardo do Brasil, assim como as ações no Supremo, são obstáculos objetivos e não teóricos no mundo da política real.
Sabemos que ele se sente inseguro de voltar ao Brasil. Mas a realidade é esta, assim como era a realidade objetiva após o Rio Centro, quando o presidente Figueiredo, seu avô, não podia apresentar o culpado que tanto lhe exigiam, a ponto de injustamente o acusarem de acobertar os autores, de envolvê-lo em algo que, tenho certeza, era uma ação de um grupo que não queria a redemocratização que ele, o presidente, tentava viabilizar.
Muitos radicais, na época, foram injustos e viram teorias conspiratórias, espalhando as mais degradantes insinuações contra o presidente Figueiredo. Mas estavam errados! Porque a política real, no exercício do poder real, deve sofrer influências de todas as pressões possíveis, mas deve se pautar pelo objetivo estratégico principal.
As declarações de Ciro Nogueira acontecem em meio a um cenário de desgaste para projetos defendidos pela direita no Congresso. A PEC da Blindagem, aprovada pela Câmara, foi derrubada no Senado após forte rejeição popular. Já o projeto de lei da Anistia, que inicialmente previa perdão amplo, avança com mudanças que devem reduzir penas, mas não extinguir totalmente os processos.
Para Ciro, a disputa interna entre partidos e lideranças de direita pode favorecer a esquerda na corrida presidencial de 2026. “É melhor perder tudo do que uma vitória possível nas circunstâncias possíveis?”, questionou o senador.




















































































