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🧡 Ver Ofertas na ShopeePesquisa publicada na Nature Communications mostra que o medicamento pode desacelerar o envelhecimento epigenético em múltiplos sistemas do organismo, incluindo cérebro, coração, fígado e rins
Um novo estudo publicado na revista Nature Communications associou o uso da semaglutida — princípio ativo de medicamentos como Ozempic e Wegovy — a uma redução da idade biológica de órgãos importantes. A pesquisa, conduzida por cientistas da Universidade da Califórnia em San Diego e de instituições parceiras, fornece evidências clínicas, randomizadas e controladas por placebo de que a semaglutida pode desacelerar o acúmulo de marcadores de envelhecimento biológico no DNA.
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Como o estudo foi feito
Os pesquisadores analisaram dados de um ensaio clínico anterior com 108 adultos que vivem com HIV e apresentavam lipohipertrofia associada à infecção — condição caracterizada pelo acúmulo excessivo de gordura, especialmente na região abdominal, e associada a alterações metabólicas e ao envelhecimento celular acelerado.
Cerca de metade dos participantes recebeu injeções semanais de semaglutida, enquanto o restante recebeu placebo.
A equipe utilizou um conjunto de “relógios epigenéticos” para acompanhar o envelhecimento celular durante 32 semanas de tratamento. Essas ferramentas analisam a metilação do DNA — marcas químicas que ajudam a regular a ativação e a desativação dos genes sem alterar a sequência genética.
Ao avaliar as mudanças nessas marcas, os pesquisadores puderam estimar se o tratamento estava associado a um ritmo mais lento ou mais rápido de envelhecimento biológico.
Principais resultados
Em comparação com o grupo que recebeu placebo, os participantes tratados com semaglutida apresentaram:
- Um padrão mais amplo de desaceleração do envelhecimento biológico, observado em relógios epigenéticos relacionados à inflamação e à saúde do sangue, cérebro, coração, rins, fígado e metabolismo;
- Desaceleração de 9% no ritmo de envelhecimento biológico, de acordo com o relógio epigenético DunedinPACE;
- Redução significativa em processos biológicos associados ao risco de mortalidade por todas as causas e a doenças relacionadas à idade, conforme avaliação pelo relógio PCGrimAge.
Um estudo piloto relacionado, publicado na revista npj Aging, também avaliou os efeitos da semaglutida durante 24 semanas e constatou:
- Redução da taxa de envelhecimento biológico em 42% dos participantes com HIV e doença hepática gordurosa, segundo o DunedinPACE;
- Desaceleração do envelhecimento associado ao risco de mortalidade em 34% dos participantes, de acordo com o PCGrimAge;
- Aumento do comprimento dos telômeros em quase 49% dos participantes, segundo o relógio PCDNAmTL. Esses participantes também apresentaram tendência de melhora na velocidade da caminhada após o tratamento.
Possíveis mecanismos
A pesquisa sugere que a semaglutida pode influenciar o envelhecimento biológico por diferentes mecanismos. Ao reduzir a inflamação e o estresse metabólico, os medicamentos da classe dos agonistas de GLP-1 podem diminuir a ativação imunológica crônica, um dos fatores associados ao envelhecimento acelerado em pessoas com HIV.
Esses medicamentos também reduzem a gordura visceral e ectópica, que pode se acumular ao redor do abdômen e de órgãos internos. A redução desse tecido pode contribuir para diminuir sinais inflamatórios e alterações metabólicas associados ao envelhecimento.
“Dados emergentes também sugerem que os medicamentos GLP-1 podem reprogramar certas células em diferentes órgãos, o que poderia ajudar a explicar por que vemos efeitos em vários relógios de envelhecimento”, afirmou Michael Corley, primeiro autor do estudo e professor associado da UC San Diego School of Medicine.
Ressalvas importantes
Os autores são cautelosos quanto à interpretação dos resultados.
“Não estamos dizendo que a semaglutida reverte o envelhecimento ou torna as pessoas mais jovens”, afirmou Corley. “O que estamos vendo é um sinal de que ela pode desacelerar alguns dos processos biológicos associados ao envelhecimento.”
O estudo foi realizado especificamente com pessoas que vivem com HIV e apresentavam lipohipertrofia, condição associada a alterações metabólicas e ao envelhecimento celular. Portanto, os resultados não podem ser automaticamente extrapolados para a população em geral.
Corley, no entanto, afirma que os achados podem ter implicações mais amplas.
“Muitos dos processos biológicos que estudamos no HIV também são centrais para o envelhecimento na população em geral”, afirmou. “Como esses processos podem surgir mais cedo ou ser mais pronunciados em pessoas com HIV, essa comunidade pode nos ajudar a identificar intervenções que podem melhorar a saúde de forma mais ampla.”
Os pesquisadores ressaltam que são necessários ensaios clínicos maiores para confirmar os resultados, determinar quanto tempo os efeitos persistem e estabelecer as doses e a duração ideais do tratamento para pessoas com HIV e para a população em geral.
Contexto da pesquisa
A semaglutida pertence à classe dos medicamentos chamados agonistas do receptor GLP-1, que têm despertado interesse não apenas pelo controle da glicemia e pela perda de peso, mas também pelo potencial de influenciar mecanismos relacionados ao envelhecimento.
Estudos recentes têm investigado possíveis efeitos geroprotetores dessa classe de medicamentos, com evidências pré-clínicas e clínicas apontando para possíveis alterações em vias biológicas relacionadas ao envelhecimento, incluindo AMPK, mTOR, inflamação e senescência celular.
Importante: os resultados não significam que Ozempic ou Wegovy sejam medicamentos antienvelhecimento. O estudo identificou alterações em marcadores epigenéticos associados ao envelhecimento biológico, mas ainda são necessárias pesquisas para determinar se essas mudanças representam benefícios clínicos concretos, como maior longevidade ou menor incidência de doenças relacionadas à idade.
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