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Representantes de Ucrânia, Rússia e Estados Unidos se reúnem nesta quarta-feira em Abu Dhabi para tentar avançar nas negociações que buscam encerrar a guerra iniciada após a invasão russa em fevereiro de 2022, o conflito mais letal na Europa desde a Segunda Guerra Mundial.
A nova rodada ocorre após sucessivas tentativas diplomáticas fracassadas e em meio a uma escalada militar russa. Nos últimos dias, ataques com drones e mísseis atingiram a infraestrutura energética da Ucrânia, deixando amplas regiões sem eletricidade e aquecimento em pleno inverno, o que elevou a tensão antes do encontro.
O presidente ucraniano Volodimir Zelensky acusou Moscou de não levar a diplomacia a sério. Segundo ele, os bombardeios reforçam que a Rússia mantém uma estratégia baseada na guerra e na destruição do país. Zelensky afirmou ainda que a atuação da delegação ucraniana levará esse cenário em consideração.
O principal impasse das negociações é o futuro dos territórios do leste da Ucrânia. A Rússia exige a retirada das tropas ucranianas de áreas do Donbass, incluindo cidades fortemente fortificadas, e o reconhecimento internacional das regiões ocupadas como parte do território russo. Kiev rejeita essas condições e defende o congelamento do conflito ao longo da atual linha de frente.
As conversas, previstas para seguir até quinta-feira, haviam sido adiadas no fim de semana por questões de agenda entre as delegações. A equipe ucraniana será chefiada por Rustem Umerov, secretário do Conselho de Segurança. A Rússia será representada por Igor Kostyukov, chefe da inteligência militar. Os Estados Unidos participam com enviados do presidente Donald Trump, liderados por Steve Witkoff.
Atualmente, a Rússia ocupa cerca de 20% do território ucraniano e ameaça ampliar a ofensiva caso não haja acordo, especialmente na região de Donetsk, parcialmente sob controle de Kiev. O governo ucraniano afirma que não aceitará um acordo que envolva cessão de território e alerta que isso abriria caminho para novas invasões.
Pesquisas indicam que a maioria dos ucranianos se opõe a qualquer acordo que entregue áreas ocupadas à Rússia. Enquanto isso, Zelensky intensifica articulações com aliados ocidentais para ampliar o envio de armas e aumentar a pressão econômica e política sobre o Kremlin.
(Com informações da AFP)