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O ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal (PRF), Silvinei Vasques, foi preso pelas autoridades do Paraguai na madrugada desta sexta-feira (26), no Aeroporto Internacional Silvio Pettirossi, em Assunção, ao tentar embarcar em um voo com destino a El Salvador. Segundo a polícia paraguaia, Vasques apresentou um documento médico alegando sofrer de um câncer em estágio avançado e afirmou que não podia se comunicar verbalmente.
De acordo com o comandante policial paraguaio Carlos Duré, o brasileiro mostrou um atestado que indicava um quadro de câncer “muito avançado”, além de sustentar que não conseguia falar ou compreender instruções orais. No entanto, após a descoberta de outros documentos em sua bagagem — entre eles um passaporte brasileiro —, Vasques passou a se comunicar normalmente.
“Se você apresenta um documento paraguaio, precisa falar guarani ou castelhano. Depois que encontramos outros documentos, ele começou a falar seu idioma real”, afirmou Duré.
Ainda segundo o chefe policial, Vasques estava com curativos no pescoço e no braço, que ele alegou estarem relacionados à doença. Duré ressaltou, porém, que não é possível confirmar o diagnóstico e que esse tipo de justificativa costuma ser usado para tentar evitar procedimentos de controle migratório.
As autoridades paraguaias informaram que o ex-diretor da PRF utilizou um documento de identidade extraviado de outra pessoa durante a tentativa de embarque. Antes de ser transferido, ele foi interrogado pelo Ministério Público do Paraguai.
A Polícia Federal brasileira confirmou que Silvinei portava uma “Declaração Pessoal para Autoridades Aeroportuárias”, na qual afirmava ser portador de Glioblastoma Multiforme – Grau IV, um tipo agressivo de câncer cerebral. No documento, ele alegava não falar nem ouvir em razão da condição médica e solicitava que qualquer comunicação fosse feita por escrito.
Na declaração, Vasques também afirmava que viajava para San Salvador com o objetivo exclusivo de realizar um tratamento de radiocirurgia, procedimento que, segundo ele, poderia prolongar sua expectativa de vida. O texto mencionava ainda autorização médica para a viagem e o porte de medicamentos de uso contínuo.
No Brasil, Silvinei Vasques foi condenado a 24 anos e seis meses de prisão pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) por participação em tentativa de golpe de Estado. A condenação foi proferida em 16 de dezembro e ainda cabe recurso, razão pela qual ele aguardava em liberdade. Mesmo assim, o ministro Alexandre de Moraes decretou a prisão preventiva após a tentativa de fuga.
Após a detenção, Vasques está sendo levado para Ciudad del Este, na região da tríplice fronteira, onde será entregue à Polícia Federal brasileira ainda nesta sexta-feira. Em seguida, ele será transferido para Brasília, onde permanecerá sob custódia enquanto aguarda os desdobramentos judiciais do caso.