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Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o 'Sicário', quando foi preso em outra investigação em MG — Foto: Reprodução

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“Sicário” enviou a Vorcaro prints de sistema interno da PF e de suposta busca na Interpol

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Relatório da Polícia Federal enviado ao STF e tornado público após André Mendonça levantar o sigilo do caso Master mostra que Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o “Sicário”, acessou clandestinamente bases da PF, Infoseg, MPF, Polícia Civil, Banco Central, FBI e Interpol; o grupo “A Turma” também forjou documento com timbre do MPF para intimidar desafeto do ex-banqueiro em Miami.

O ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, recebeu de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o “Sicário”, uma captura de tela do ePol, sistema interno da Polícia Federal, com uma pesquisa pelo parâmetro “Daniel Vorcaro” que retornava inquéritos policiais e cartas precatórias relacionadas a ele. O print foi enviado por mensagem de WhatsApp em 15 de setembro de 2025. As informações constam em relatório de investigação enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) cujo sigilo foi levantado pelo ministro André Mendonça nesta sexta-feira (11).

Acesso clandestino a sistemas

Uma auditoria interna determinada pela corporação identificou que a consulta clandestina partiu da Delegacia da PF em Juiz de Fora (MG). O relatório também registra consultas e extrações de dados do sistema Infoseg, gerenciado pela Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp). A plataforma, de acordo com o Ministério da Justiça e Segurança Pública, centraliza e agiliza consultas sobre indivíduos, veículos, armas e outros elementos essenciais para a segurança pública, justiça, controle e fiscalização.

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Sicário chefiava uma organização chamada de “A Turma”, que, segundo as investigações, executava ordens diretas de Vorcaro para constranger e ameaçar adversários e ex-funcionários. Ele morreu após ter sido preso em março deste ano. De acordo com a polícia, tentou suicídio na carceragem da PF em Belo Horizonte e não resistiu após ter sido levado ao hospital.

Acesso a sistemas do FBI e da Interpol

Além dos sistemas da PF, o grupo de Sicário teria realizado consultas e extrações clandestinas de informações, por meio de logins de terceiros, em bases de dados do Ministério Público Federal (MPF), da Polícia Civil, do Banco Central (BC) e até mesmo de organismos internacionais, como o FBI e a Interpol.

Em 24 de outubro de 2025, ele enviou a Vorcaro uma captura de tela com a identificação da Interpol contendo o nome “Daniel Vorcaro” no campo de busca. “O que esta em branco foi para ocultar o nome de quem fez a pesquisa”, escreveu. “Estamos aguardando o relatório principal do FBI. A interpol está limpa.”

Consultado pela PF, o órgão de representação da Interpol no Brasil informou que o layout do print enviado por Mourão não corresponde aos sistemas de busca oficiais da instituição. Ainda assim, os investigadores não descartam que a pesquisa de fato foi feita na base de dados da entidade internacional. “É provável que a consulta tenha sido realizada por meio de sistema nacional integrado a base de dados offline construída a partir do download das informações sobre Notices publicadas pela Interpol (procedimento adotado, por exemplo, pelos EUA)”, afirmam os investigadores no relatório da PF. “Neste caso, a identificação do usuário responsável somente seria possível por parte do país que mantém referido sistema, podendo-se inferir, de qualquer forma, que não se trata de usuário brasileiro.”

Documento forjado com timbre do MPF

Em outra ocasião, ainda em outubro de 2024, o grupo “A Turma” chegou a criar um documento forjado com timbre do MPF e referência a inquéritos da PF para simular uma notificação à Interpol no intuito de pressionar e intimidar um desafeto do então dono do Master residente em Miami, descrito como um “DJ que teria mexido com o filho de Daniel Vorcaro”.

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Pagamentos a Sicário

De acordo com os investigadores, Sicário recebia uma remuneração fixa de R$ 1 milhão por mês, além de eventuais bônus. Desse valor, uma parcela de R$ 400 mil era rateada entre seis integrantes do grupo “A Turma”. A investigação estima que os pagamentos efetuados a ele ultrapassaram a cifra de R$ 24 milhões.

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