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“Você está me espionando?”: Messias e Andrei trocam xingamentos diante de Lula

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Chefe da AGU questionou diretor-geral da PF sobre suposto monitoramento durante encontro no gabinete presidencial, no último dia 4; episódio foi considerado a gota d’água em meio às divergências nos bastidores das investigações sobre o Banco Master.

O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, foi recebido com uma pergunta direta ao entrar no gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), na manhã do último dia 4. “Você está me espionando?”, questionou o advogado-geral da União (AGU), Jorge Messias.

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Segundo apuração da coluna de Marcela Mattos, do UOL, Messias acreditava que a PF estava monitorando seus passos havia meses e decidiu cobrar explicações. “É verdade que estão monitorando o meu telefone?”, acrescentou, irritado e intercalando a fala com xingamentos. O relato foi publicado pelo portal nesta quarta-feira (23).

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Naquele dia, Lula e Messias haviam participado de um evento no Palácio do Planalto para celebrar a sanção de leis relacionadas ao sistema de Justiça brasileiro. Após a cerimônia, os dois receberam Andrei Rodrigues na sala presidencial. Segundo pessoas que tiveram acesso a relatos sobre o episódio, a conversa, acompanhada por Lula, foi “dura”, “tensa” e “ríspida”.

Gota d’água

A cobrança foi considerada o ponto culminante de uma série de divergências que vinham se acumulando nos bastidores das investigações relacionadas ao Banco Master. Segundo a reportagem do UOL, Messias e Rodrigues também tinham desconfianças em relação à atuação um do outro.

De um lado, o chefe da AGU acreditava estar sob vigilância da estrutura de inteligência da PF e se sentia pressionado a questionar decisões do ministro André Mendonça, relator do caso. Messias resistia a apresentar contestações por entender que isso poderia abrir margem para as defesas tentarem anular as investigações.

De outro, Rodrigues defendia que era necessário questionar determinadas decisões de Mendonça para preservar as investigações e reclamava que suas conversas privadas, quando envolviam Messias, chegavam rapidamente ao ministro do Supremo Tribunal Federal.

Negativa e reação

Diante de Lula, o diretor-geral da PF negou qualquer monitoramento de Messias. Segundo relatos obtidos pelo UOL, Rodrigues teria reagido de forma igualmente ríspida, classificando a postura do ministro como “chilique” e afirmando que, por ser evangélico, Messias deveria “dar sermão na igreja, e não no Planalto”.

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Messias, porém, não teria se convencido da negativa e alertou que Rodrigues poderia ser formalmente cobrado por sua atuação.

Quatro dias depois, em 8 de setembro, o ministro André Mendonça determinou o afastamento cautelar de Andrei Rodrigues do comando da PF e do diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada. Na decisão, Mendonça afirmou ter identificado elementos que, em sua avaliação, indicavam “monitoramento e coleta dirigida” sobre ele e Jorge Messias.

Resposta de Messias

Após a publicação da reportagem, Messias afirmou que “as informações apresentadas na matéria não são precisas”.

“Tenho profundo respeito e admiração pessoal pelo dr. Andrei. Divergências são naturais, evidentemente, mas nada se sobrepõe ao respeito e à consideração que mantenho por ele, tanto no âmbito pessoal quanto institucional”, declarou.

O UOL reafirmou a apuração. Procurados pela reportagem, Messias e Rodrigues não quiseram se manifestar, segundo o portal.

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Outro episódio de tensão

Dias antes, outro episódio já havia evidenciado o clima de tensão. Em uma reunião para discutir a crise no STF, o chefe da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira, teria afirmado que André Mendonça era “amigo” e “irmão” de Jorge Messias.

Segundo a reportagem, Messias reagiu com xingamentos e negou qualquer ingerência sobre as decisões processuais do ministro do Supremo.

Mendonça também passou a ser alvo de críticas relacionadas à condução das investigações do Banco Master. O ministro nega as acusações feitas a respeito de sua atuação.

“Proibido de recorrer”

O afastamento de Andrei Rodrigues da direção da PF abriu um novo capítulo na crise.

Segundo relatos obtidos pelo UOL, o chefe da AGU apresentou recurso contra a decisão de Mendonça sem o aval de Rodrigues. O diretor-geral teria telefonado para Messias e afirmado: “Você está proibido de recorrer em meu nome”, reforçando sua desconfiança em relação ao advogado-geral.

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Messias teria respondido: “Eu vou recorrer em nome do presidente da República”.

Na conversa, o ministro negou ter responsabilidade pela decisão de Mendonça. Rodrigues então recusou a assistência da AGU, contratou uma advogada particular e apresentou uma ação ao ministro Flávio Dino, que determinou seu retorno ao cargo. Posteriormente, a ação da AGU foi encaminhada ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, que suspendeu as decisões de Dino e Mendonça e determinou que os envolvidos se manifestassem.

Relatório da PF foi o gatilho

O encontro entre Lula, Messias e Rodrigues ocorreu um dia depois de o ministro Alexandre de Moraes retirar o sigilo de um relatório de inteligência da PF que analisava a atuação de André Mendonça nas investigações do Banco Master e levantava hipóteses sobre a atuação de Messias.

Em julho, a PF havia solicitado à AGU que recorresse de decisões de Mendonça. A advocacia, porém, não atendeu ao pedido, sob o argumento de que não teria competência para atuar na esfera criminal e de que a contestação poderia trazer riscos às investigações. Segundo a reportagem, o episódio já havia provocado desgaste entre Rodrigues e Messias.

A crise aumentou depois que o relatório mencionou, entre as hipóteses analisadas, a existência de uma “matriz religiosa comum” entre Messias e Mendonça e a possibilidade de que a relação entre os dois tivesse influenciado a decisão da AGU.

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O documento, porém, classificava como “baixa” a confiança agregada da cadeia de inferências apresentada e registrava que o tópico não autorizava “afirmação institucional, providência formal ou manifestação externa”. Na sequência, o relatório afirmava: “Autoriza monitoramento e coleta dirigida”.

Foi esse trecho que, segundo a reportagem do UOL, aumentou a desconfiança de Messias de que estaria sendo monitorado e contribuiu para a cobrança feita a Andrei Rodrigues durante o encontro com Lula.

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