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A ativista iraniana Narges Mohammadi, vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2023, foi detida violentamente pelas forças de segurança do regime iraniano nesta sexta-feira (12), durante uma cerimônia em memória do advogado Khosrow Alikordi, encontrado morto em seu escritório na semana passada. A informação foi divulgada por sua fundação e por familiares da ativista.
Mohammadi, que havia recebido um permissão temporária para deixar a prisão em dezembro de 2024, participava do evento ao lado de outros ativistas quando ocorreu a operação policial. Segundo relatos, a detenção foi realizada de forma agressiva.
Detenção durante cerimônia em Mashhad
Em comunicado publicado na rede X (antigo Twitter), a Fundação Narges afirmou ter recebido “informações credíveis” de que Mohammadi foi levada por agentes de segurança e policiais durante a cerimônia do sétimo dia de homenagem a Alikordi, realizada na cidade de Mashhad, no leste do país.
O marido da ativista, Taghi Rahmani, exilado em Paris, também confirmou a prisão e informou que Mohammadi estava acompanhada da proeminente ativista Sepideh Gholian no momento da detenção.
A fundação ainda relatou que outros defensores dos direitos humanos também foram presos, entre eles Sepideh Qolian, Hasti Amiri, Pouran Nazemi e Alieh Motalebzadeh. Os detalhes sobre o paradeiro e o estado dos detidos ainda não foram divulgados.
Uma vida dedicada aos direitos humanos
Nascida em 1972 na cidade de Zanjan, no norte do Irã, Narges Mohammadi cresceu em uma família de classe média. Formada em Física pela Universidade Internacional Imam Jomeini, ela atuou como engenheira, mas logo migrou para o jornalismo e o ativismo social.
Durante a universidade, escreveu artigos sobre direitos das mulheres e chegou a ser detida em encontros do grupo estudantil Tashakkol Daaneshjuyi Roshangaraan (“Grupo de Estudantes Iluminadores”).
Suas atividades a aproximaram do Centro de Defensores dos Direitos Humanos, organização fundada pela também vencedora do Nobel da Paz, Shirin Ebadi, focada na abolição da pena de morte. Mohammadi chegou ao posto de vice-presidente do grupo.
Histórico de prisões e perseguições
Mohammadi foi presa pela primeira vez aos 26 anos. Desde então, passou por diversas detenções, tornando-se uma das vozes mais contundentes contra:
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a repressão às mulheres no Irã
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a pena de morte
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violações sistemáticas de direitos humanos
Seu marido, Taghi Rahmani, também ativista, passou 14 anos na prisão e vive exilado com os filhos gêmeos do casal, que não veem a mãe há vários anos.
A ativista acumula diversos reconhecimentos internacionais:
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Prêmio Andrei Sajarov (2018)
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Prêmio Mundial de Liberdade de Imprensa da ONU (2023)
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Prêmio Guillermo Cano da UNESCO (2023)
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Prêmio ao Valor da Repórteres Sem Fronteiras (2022)
Kenneth Roth, ex-diretor do Human Rights Watch, descreveu Mohammadi como uma “voz indomável contra a repressão do governo iraniano”.
Desde 2012, Mohammadi enfrenta sérios problemas de saúde, incluindo sintomas relacionados à epilepsia, atribuídos às longas sessões de interrogatório. Grupos como a Anistia Internacional denunciam que ela foi torturada e privada de tratamento adequado para doenças cardíacas e pulmonares.
Em fevereiro de 2022, sofreu um ataque cardíaco, mas a promotoria impediu sua transferência para um hospital.
Mesmo encarcerada, Mohammadi continuou denunciando a situação precária dos presos iranianos, escrevendo artigos e relatando abusos cometidos no sistema penitenciário.
Até o momento, não há informações oficiais sobre o local para onde Mohammadi e os demais ativistas foram levados, nem sobre as acusações apresentadas. A Fundação Narges afirmou que continuará atualizando o caso conforme novas informações forem confirmadas.