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A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, anunciou nesta quinta-feira (18) que a assinatura do acordo comercial entre a União Europeia (UE) e o Mercosul foi adiada para janeiro de 2026. A decisão, comunicada durante reunião do Conselho Europeu em Bruxelas, representa um revés para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que vinha pressionando pela concretização do tratado ainda este ano, segundo o site Politico.
O adiamento ocorreu após a Itália alterar sua posição e se alinhar à França na resistência ao acordo, que enfrenta oposição de setores agrícolas europeus. As negociações entre os dois blocos econômicos se arrastam há 26 anos e, nas últimas semanas, foram marcadas por protestos violentos. Na quinta-feira, a polícia belga reprimiu manifestantes que protestavam em Bruxelas contra o acordo, utilizando cassetetes para dispersar agricultores que lançaram objetos contra janelas e portas de edifícios no bairro europeu.
O presidente francês Emmanuel Macron afirmou que seu país não apoiará o tratado sem garantias mais robustas para o setor agrícola. “Consideramos que ainda não chegamos a esse ponto e que o acordo não pode ser assinado como está”, declarou. Macron prometeu se opor a qualquer “tentativa de imposição” do pacto.
Enquanto França e Itália mantêm resistência, Alemanha, Espanha e países nórdicos defendem o avanço do acordo, que foi firmado politicamente no ano passado com Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai. O chanceler alemão, Friedrich Merz, ressaltou que o tratado pode ajudar a compensar os efeitos das tarifas impostas pelos Estados Unidos e reduzir a dependência europeia da China, ampliando o acesso a minerais e novos mercados. “Se a União Europeia quiser manter credibilidade na política comercial global, decisões precisam ser tomadas agora”, afirmou.
A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, afirmou que seu país poderia apoiar o acordo desde que fossem atendidas as demandas do setor agrícola italiano. A Comissão Europeia planejava assinar o tratado nesta semana, que criaria a maior zona de livre comércio do mundo, mas o alinhamento de Itália e França mudou o cronograma.