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O regime do Irã reconheceu neste sábado (31) “avanços” rumo a uma possível negociação nuclear com os Estados Unidos, em um contexto de crescente tensão militar e advertências mútuas. O anúncio ocorre junto ao reforço do deslocamento de tropas em áreas estratégicas, como o estreito de Ormuz e o mar Arábico.
Após reunião em Moscou com o presidente russo, Vladimir Putin, o chefe do Conselho de Segurança Nacional do Irã, Ali Larijani, afirmou no X (antigo Twitter) que a percepção internacional de falta de diálogo é fruto de uma “propaganda de guerra” e garantiu que “a implementação de um marco de negociação avança”. Ele não detalhou prazos ou condições, mas ressaltou a possibilidade de aproximação mesmo em um ambiente hostil.
De Washington, o ex-presidente Donald Trump confirmou ter dado um ultimato a Teerã para fechar um acordo sobre o programa nuclear iraniano, sem revelar o prazo específico. “Posso dizer isto: eles querem chegar a um acordo”, afirmou Trump em coletiva de imprensa, acrescentando que apenas as autoridades iranianas conhecem o limite temporal estabelecido e alertando que o espaço de negociação é limitado.
Trump reforçou que os Estados Unidos mantêm “todas as opções” sobre a mesa caso o diálogo fracasse, destacando a força da frota americana na região, mas disse preferir uma solução que evite a via militar.
Pelo lado iraniano, figuras como o ministro das Relações Exteriores, Abás Araqchi, reiteraram que o país aceita retomar conversas apenas se forem preservadas suas capacidades defensivas e mísseis balísticos. Araqchi declarou em Istambul, citado pela agência IRNA, que “manteremos e ampliaremos nossas capacidades defensivas na medida necessária para proteger o país”. O diplomata destacou que não existem negociações formais e que qualquer diálogo deve ocorrer sem pressões ou ameaças.
Em tom mais duro, o chefe do Exército iraniano, Amir Hatami, afirmou que as forças armadas do país estão “plenamente preparadas” para responder a qualquer agressão americana: “Se o inimigo cometer um erro, não tenham dúvida de que colocará em risco sua própria segurança, a da região e do regime sionista.”
As exigências dos EUA para avançar no diálogo se concentram na contenção do programa de mísseis iraniano, ponto reiteradamente rejeitado pela liderança política e militar da República Islâmica. Teerã, por sua vez, condiciona qualquer acordo significativo ao levantamento prévio de sanções.
O desdobramento militar na região se intensificou. Segundo o The New York Times, a Marinha americana mantém o porta-aviões Abraham Lincoln no mar Arábico, acompanhado por três navios de guerra equipados com mísseis Tomahawk, caças F-35 e aeronaves F/A-18. O grupo naval, sob comando do Comando Central dos EUA, opera em alerta máximo e com capacidade de ataque imediato sobre alvos iranianos caso seja ordenado por Trump, como parte de estratégia de dissuasão e proteção das rotas comerciais críticas.
O Comando Central norte-americano alertou a Guarda Revolucionária do Irã que “não tolerará” manobras militares “inseguras” em águas internacionais, principalmente durante exercícios navais previstos no estreito de Ormuz, passagem estratégica para o transporte energético mundial. Os EUA consideram perigosos tanto sobrevôos próximos quanto aproximações agressivas de embarcações iranianas, enfatizando que tais ações aumentam o risco de incidentes e instabilidade regional.
Em resposta, o Irã anunciou manobras navais de dois dias com fogo real no estreito de Ormuz. A IRNA confirmou que a Guarda Revolucionária lidera os exercícios para fortalecer a defesa nacional diante de qualquer cenário. As manobras acontecem logo após os EUA e a União Europeia incluírem a Guarda na lista de organizações terroristas, designação rejeitada por Teerã.
No plano diplomático, países como Turquia, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita intensificaram esforços para frear a escalada e evitar conflito armado. A chegada de um destróier americano ao porto de Eilat, em Israel, reforça a presença militar internacional em uma área estratégica para o fluxo global de petróleo e gás.
O confronto entre Washington e Teerã ocorre em um contexto interno delicado para o Irã. Apesar da pressão internacional, as autoridades iranianas mantêm como prioridade a defesa de seu programa nuclear e o desenvolvimento científico e tecnológico. O regime afirma que continuará avançando em ciência e tecnologia nuclear, mantendo uma postura firme de preservação de seus resultados mesmo sob ameaças externas.