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Gustavo Petro não reconhece resultado do primeiro turno e questiona sistema de apuração

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O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, afirmou, neste domingo (31), que não reconhece os resultados do primeiro turno das eleições presidenciais. Em publicação na rede social X, o mandatário questionou o processo eleitoral e, em particular, o software utilizado para a contagem de votos, operado por empresas privadas.

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“Como presidente, não aceito os resultados da pré-contagem da firma privada dos irmãos Bautista”, escreveu Petro.

Segundo o presidente, o chamado “conteo transmitido” (pré-contagem) não tem força vinculante. Ele afirmou que só aceitará os resultados quando as comissões escrutadoras dirigidas por juízes da República validarem a apuração.

“Por tanto y conforme a la ley, los resultados vinculantes que el presidente atenderá y aceptará son los de las comisiones escrutadoras dirigidas por los jueces de la República”, indicou o chefe de Estado.

As suspeitas de irregularidades
Petro alegou que o software de contagem de votos teria sido alterado na última semana e que os algoritmos do sistema não estariam “quietos”, como deveriam.

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“Debiendo estar quietos los algoritmos del software de conteo y escrutinios, en la última semana fueron variados en tres oportunidades y agregaron 800.000 cédulas más de personas que no están en el censo oficial presentado”, afirmou.

Segundo o presidente, existem dois censos eleitorais no país: o oficial e o do software. Este último, segundo ele, registraria 800 mil pessoas a mais. A alegação já havia sido mencionada no dia anterior pelo candidato do Pacto Histórico, Iván Cepeda, que falou em “885 mil pessoas” a mais.

O primeiro turno e os resultados
Com praticamente todas as urnas apuradas, Abelardo de la Espriella, advogado e empresário de extrema-direita, liderou a votação com 43,74% dos votos (mais de 10 milhões). Iván Cepeda, candidato do Pacto Histórico apoiado por Petro, ficou em segundo lugar com 40,90% (mais de 9 milhões). Nenhum dos dois atingiu os 50% necessários para vencer no primeiro turno. O segundo turno está marcado para 21 de junho.

A senadora conservadora Paloma Valencia, do Centro Democrático, ficou em terceiro lugar com cerca de 6,5% dos votos, seguida por Sergio Fajardo (centro), com aproximadamente 3,9%.

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As reações de Cepeda e Espriella
Iván Cepeda seguiu a mesma linha de Petro ao questionar os resultados.

“Há uma defasagem que queremos verificar em torno do censo eleitoral, e essa não é uma defasagem qualquer: estamos falando de 885 mil pessoas”, afirmou Cepeda.

Ele também acusou governantes de outros países de supostamente interferirem nas eleições, mencionando o presidente do Equador, Daniel Noboa.

“Autoridades e inclusive governos estrangeiros estão metendo a mão em nossas eleições, como ocorreu com o senhor presidente Noboa, motivado ou certamente em arranjo e em complô com o senhor Espriella”, disse Cepeda.

Por sua vez, Abelardo de la Espriella, em discurso em Barranquilla, pediu que a esquerda respeite a vontade popular e fez duras críticas a Petro e Cepeda.

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“Petro, Cepeda, dupla de delinquentes, não se atrevam. Que não lhes ocorra ignorar a vontade popular, porque aqui há um povo que vai enfrentá-los e vai derrotá-los”, afirmou Espriella.

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O candidato de extrema-direita também pediu vigilância internacional para o segundo turno.

“Vamos a defender la democracia por la razón o por la fuerza”, declarou.

O contexto e a polarização
O primeiro turno transcorreu sem incidentes de maior gravidade. No entanto, a contestação dos resultados por parte do presidente e de seu candidato aqueceu o debate e aprofundou a polarização política no país. A segunda volta promete ser acirrada, com propostas antagônicas para a Colômbia.

O ex-presidente Iván Duque criticou o posicionamento de Petro, acusando-o de colocar em dúvida a legitimidade do processo eleitoral. A ex-candidata Paloma Valencia e o ex-presidente Álvaro Uribe declararam apoio a Espriella para o segundo turno.

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