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Política

Confira os detalhes do projeto aprovado na Câmara sobre adultização, que ainda precisa ser analisado pelo Senado

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A Câmara dos Deputados aprovou, nesta quarta-feira (20), o Projeto de Lei 2628/22, que estabelece um marco regulatório para a proteção de crianças e adolescentes em ambientes digitais. A proposta, apelidada de “ECA Digital”, foi inspirada no Estatuto da Criança e do Adolescente e busca enfrentar a crescente adultização de menores nas redes sociais, além de garantir segurança, privacidade e bem-estar no uso da internet.

O projeto, de autoria do senador Alessandro Vieira (MDB-SE) e relatado na Câmara pelo deputado Jadyel Alencar (Republicanos-PI), retorna ao Senado para nova votação após sofrer alterações significativas.

🌐 Um novo padrão de proteção digital

A proposta estabelece uma série de obrigações para plataformas digitais, fabricantes de dispositivos conectáveis à internet e serviços online que tenham interação com o público infantojuvenil. Entre os principais pontos estão:

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  • Privacidade reforçada: plataformas deverão adotar, por padrão, o nível máximo de proteção de dados para menores, evitando a coleta excessiva de informações.
  • Verificação de idade: acesso a conteúdos impróprios será permitido apenas mediante sistemas confiáveis de checagem, proibindo autodeclaração.
  • Controle parental ativo: ferramentas de supervisão devem estar ativadas automaticamente, permitindo que responsáveis definam limites de tempo, contatos e localização.
  • Publicidade restrita: fica proibido o direcionamento de anúncios com base em perfil comportamental ou análise emocional de menores.
  • Jogos eletrônicos: uso de “loot boxes” será vetado, por serem comparados a jogos de azar.
  • Redes sociais: contas de menores de 16 anos deverão ser vinculadas a responsáveis legais, e não poderão ser usadas para fins comerciais.
  • Exploração sexual: plataformas que identificarem material de abuso infantil deverão acionar autoridades e remover o conteúdo imediatamente.
  • Transparência: empresas com mais de 1 milhão de usuários menores terão de publicar relatórios semestrais sobre denúncias e medidas de proteção.
  • Sanções: vão de advertência a multas de até R$ 50 milhões, além da possibilidade de suspensão temporária ou definitiva das atividades.
  • Fabricantes: dispositivos conectáveis à internet deverão trazer alertas nas embalagens sobre riscos digitais para crianças e adolescentes.

🚫 Conteúdos considerados impróprios

O texto define como impróprios conteúdos que envolvam:

  • Exploração e abuso sexual
  • Violência física, bullying e assédio virtual
  • Incentivo à automutilação, suicídio ou uso de drogas
  • Jogos de azar, apostas e produtos proibidos para menores
  • Práticas publicitárias predatórias, injustas ou enganosas
  • Pornografia

Esses conteúdos deverão ser removidos pelas plataformas, com notificação ao autor e direito de recurso.

📣 Denúncias e fiscalização

As empresas serão obrigadas a oferecer canais acessíveis para denúncias de violações. Em casos graves, como exploração sexual ou aliciamento, a comunicação às autoridades deverá ser imediata. Apenas vítimas, responsáveis legais, Ministério Público ou entidades de defesa da infância poderão formalizar denúncias.

Uma autoridade nacional independente será criada para fiscalizar o cumprimento da lei, definir regras e procedimentos. Essa entidade funcionará de forma semelhante à Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) e não terá influência direta do Poder Executivo — ponto que foi decisivo para garantir apoio da oposição.

🎥 Repercussão e apoio popular

O projeto ganhou força após a repercussão do vídeo do influenciador Felipe Bressanim Pereira, conhecido como Felca, que denunciou a adultização e exploração de menores em conteúdos para redes sociais. Publicado em agosto de 2023, o vídeo ultrapassou 50 milhões de visualizações e mobilizou políticos, especialistas e famílias em defesa de uma legislação protetiva.

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Luciana Temer, especialista em direitos da infância, reforçou que a responsabilidade pela proteção de crianças não deve recair apenas sobre as famílias. “As redes não criaram a violência sexual infantil, mas fazem parte do problema e precisam fazer parte da solução”, afirmou.

Ela também destacou a importância de aprimorar e divulgar ferramentas de controle parental já existentes, para que mais famílias possam utilizá-las de forma efetiva.

📊 Próximos passos

Com a aprovação na Câmara, o texto volta ao Senado para análise das alterações. Se aprovado, entrará em vigor após regulamentação específica e poderá representar um marco na proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital brasileiro.

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