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Mensagens encontradas no celular do tenente-coronel Geraldo Neto indicam que a policial militar Gisele Alves Santana teria sido agredida dias antes de morrer. O caso aconteceu no bairro do Brás, na região central da capital paulista.
De acordo com a Corregedoria da Polícia Militar, os diálogos mostram que a vítima relatou agressões e discussões frequentes com o marido. Em uma das mensagens, enviada em 6 de fevereiro, Gisele afirma: “Você sempre caçando um motivo para brigar. Mas você vai ver só. Você enfiou a mão na minha cara ontem. Gritou comigo hoje”.
A policial morreu no dia 18 de fevereiro, com um tiro na cabeça. Inicialmente, o caso foi tratado como suicídio, mas a investigação avançou após denúncias da família sobre o relacionamento conturbado do casal.
Segundo os investigadores, “a expressão ‘enfiou a mão’ em seu rosto, no contexto do diálogo, indica possível agressão física sofrida pela vítima”. O relatório aponta ainda que Gisele já vivia em um ambiente marcado por comportamentos agressivos antes do crime.
Outras mensagens revelam que a policial se sentia humilhada pelo marido, inclusive no ambiente de trabalho. Em um dos trechos, ela escreveu: “Não dá para entender. Você pediu para eu não ir embora. Eu fico e você continua igual, até pior, com seu tratamento. Falando coisas para me humilhar, para me provocar”.
Em outro momento, Gisele também afirmou: “Se você quer separar, vamos separar. Mas, se você continuar, vai ter que mudar seu comportamento estúpido, ignorante, intolerante e sem escrúpulos. Estou deixando bem claro para você que não vou aguentar muito tempo esse comportamento babaca”.
Ela ainda relatou ofensas frequentes: “Toda hora jogando piada, me chamando de burra, mandando arrumar um soldado. O que a função tem a ver com relacionamentos?”.
De acordo com a investigação, o tenente-coronel também fez declarações consideradas machistas. Em uma mensagem, ele teria dito: “Lugar de mulher é em casa, cuidando do marido. E não na rua, caçando assunto. Rua é lugar de mulher solteira à procura de macho”.
Após laudos periciais, a conclusão foi de que Gisele não tirou a própria vida, mas foi vítima de homicídio. O oficial foi indiciado por feminicídio e fraude processual.
A prisão preventiva foi decretada pela Justiça Militar e cumprida nesta quarta-feira (18), em São José dos Campos, no interior de São Paulo, pela Corregedoria da PM.
A defesa do tenente-coronel contestou a decisão. Em nota, o advogado Eugênio Malavasi afirmou: “A Justiça Militar é incompetente para analisar, processar e julgar o caso e, especialmente, para decretar medidas cautelares”. Segundo ele, será levantado um conflito de competência para que o caso seja analisado pela Justiça comum.