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Israel lança primeira ofensiva terrestre em Deir al-Balah, que abriga milhares de deslocados e pode esconder reféns

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Tanques do Exército de Israel avançaram nesta segunda-feira (21) sobre o bairro de Al Baraka, em Deir al-Balah, no centro da Faixa de Gaza, dando início à primeira ofensiva terrestre na cidade, segundo testemunhas e jornalistas locais.

Blindados israelenses chegaram até a rua Abu Houli, no coração da cidade, utilizando a estrada de Kissufim — rota que conecta Gaza a Israel pelo posto de fronteira de mesmo nome. O serviço de emergência da Defesa Civil de Gaza informou que recebeu feridos em decorrência dos disparos de artilharia, mas ainda não há registros de mortes provocadas pelas ações terrestres. Bombardeios aéreos anteriores, no entanto, mataram ao menos duas pessoas.

“Recebemos ligações de famílias cercadas na região de Baraka, em Deir al-Balah, por causa dos disparos dos tanques israelenses”, afirmou Mahmud Basal, porta-voz da Defesa Civil de Gaza. “Há vários feridos, mas ninguém consegue entrar na área para fazer a evacuação.”

Vídeos divulgados pela rede Quds News e por moradores nas redes sociais mostram sons de disparos de fuzis e tanques à distância, evidenciando a intensidade dos confrontos. O Exército de Israel confirmou que ampliará as operações militares na região, “em uma área onde nunca havia atuado antes” desde o início da guerra contra o Hamas, há mais de 21 meses. Procurado pela agência EFE, o Exército respondeu: “Não comentamos operações ou localização de tropas.”

A ofensiva ocorreu um dia após Israel emitir ordens de evacuação no sudoeste de Deir al-Balah — até então considerada um refúgio relativamente seguro e abrigo de milhares de deslocados, além de sede de operações de organizações internacionais.

Evacuação em massa e agravamento da crise humanitária

Segundo o Escritório da ONU para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), entre 50 mil e 80 mil pessoas estão na área atingida pelas ordens de retirada, que abrangem quatro bairros costeiros em cerca de 5,6 km². Desde o início das evacuações, mais de mil famílias deixaram Deir al-Balah, incluindo cerca de 30 mil deslocados que ocupavam 57 abrigos na cidade.

Famílias começaram a fugir carregando pertences a pé ou em carroças puxadas por burros rumo ao sul, principalmente para a região de Mawasi, que já abriga cerca de 425 mil pessoas — apesar de também ser alvo frequente de bombardeios israelenses.

“Durante a noite, ouvimos explosões fortes”, contou Abdallah Abu Slim, de 48 anos, à AFP. “Tememos que o Exército israelense esteja se preparando para uma operação terrestre em Deir al-Balah e nos campos de refugiados no centro da Faixa de Gaza, onde estão centenas de milhares de deslocados.”

Outro morador, Hamdi Abu Mughsib, de 50 anos, relatou que fugiu com a família ao amanhecer após uma noite de ataques intensos. “Não há lugar seguro na Faixa de Gaza. Não sei para onde podemos ir.”

Estima-se que 87,8% do território de Gaza esteja sob ordens israelenses de evacuação ou transformado em zonas militarizadas. O Exército de Israel afirma controlar 75% da região.

Ataques a infraestrutura civil e jornalistas

Ataques aéreos israelenses danificaram três mesquitas — Aqaba bin Nafea, Ahl al Sunna e Al Muyahidín — e destruíram a residência do jornalista Ashraf Abu Amra, correspondente da Al Jazeera. A responsável de comunicação da ONG britânica Medical Aid for Palestinians em Gaza, Mai Elawawda, descreveu a situação como “extremamente crítica”.

Reação de famílias de reféns

A operação militar também gerou preocupação entre familiares de reféns israelenses. O Fórum de Famílias de Reféns e Desaparecidos divulgou nota expressando “comoção e alarme” com os combates em Deir al-Balah — onde se acredita que alguns reféns possam estar mantidos.

“As famílias exigem que o primeiro-ministro, o ministro da Defesa, o chefe do Estado-Maior e o porta-voz do Exército venham a público ainda hoje para explicar por que essa ofensiva não coloca os reféns em risco grave”, afirmou o grupo.

“O povo de Israel não perdoará quem conscientemente colocou os reféns em perigo — estejam vivos ou mortos. Ninguém poderá dizer que não sabia o que estava em jogo”, concluiu o comunicado.

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