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🧡 Ver Ofertas na ShopeeO relatório final do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), divulgado nesta quinta-feira (23), concluiu que o avião da Voepass que caiu em Vinhedo (SP) em agosto de 2024 não poderia ter decolado devido a falhas técnicas e a uma série de desvios operacionais da companhia aérea. O acidente matou 62 pessoas e é o maior desastre da aviação comercial brasileira desde 2007.
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Falha no limpador de para-brisa e proibição de voo
Segundo o investigador encarregado, tenente-coronel Paulo Mendes Fróes, a aeronave apresentava 10 itens com falhas antes do voo de Cascavel (PR) para Guarulhos (SP), incluindo uma pane no sistema de limpador de para-brisa. A norma impede a decolagem em horários com previsão de chuva — condição que se aplicava ao momento do voo.
“Não poderia ter sido despachada a aeronave nesse horário em virtude da falha no limpador de para-brisa”, afirmou Fróes.
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Falhas recorrentes no sistema de degelo
O relatório também apontou que o sistema de degelo das asas apresentou falhas nos três voos anteriores ao acidente — todos realizados pela mesma aeronave, um ATR 72-500 de matrícula PS-VPB. Em um dos casos, a tripulação reiniciou o sistema três vezes, embora o procedimento previsse apenas uma tentativa.
As panes verificadas nos voos anteriores não foram registradas nos diários de bordo, o que impediu que fossem formalmente encaminhadas para análise da manutenção. Em uma das etapas, a tripulação comunicou verbalmente o problema a um mecânico, mas a inspeção após o pouso previa apenas verificação visual, sem teste de funcionamento do sistema.
“Normalização de desvios” e cultura organizacional
O Cenipa identificou falhas no cumprimento de procedimentos por três tripulações diferentes, incluindo a demora no acionamento do sistema de degelo e a manutenção do voo em condições propícias à formação de gelo. O investigador afirmou que a Voepass mantinha uma “forte cultura organizacional” de normalização de desvios.
A investigação também apontou que a empresa realizava trocas de componentes por peças que sabidamente apresentavam falhas, além de manter uma cultura de informalidade e permitir a execução de serviços por auxiliares de mecânicos sem supervisão.
“A cultura organizacional era não reportar as panes para que as aeronaves pudessem voar”, declarou o tenente-coronel Fróes.
O acidente
O voo 2283 da Voepass decolou de Cascavel (PR) com destino a Guarulhos (SP) em 9 de agosto de 2024, mas perdeu o controle e caiu no quintal de uma casa em um condomínio residencial de Vinhedo, a menos de 70 km do destino. As 62 pessoas a bordo — 58 passageiros e quatro tripulantes — morreram. Não houve vítimas em solo. Paralelamente, a Polícia Federal conduz um inquérito para apurar eventuais responsabilidades criminais.


















































































