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As negociações de paz entre Estados Unidos e Irã se estenderam pela noite deste domingo (21) no complexo alpino de Bürgenstock, na Suíça, com mediação de Paquistão e Catar. Apesar de uma saída temporária da delegação iraniana após ameaças do presidente Donald Trump, os mediadores afirmaram ter alcançado “progressos significativos” nas conversas, que devem continuar em nível técnico durante a semana.
O Irã informou que as negociações entraram em uma “fase difícil” após apenas 80 minutos de conversas, mas que houve avanços. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou em publicação na rede X que “um grande plano de reconstrução e desenvolvimento para o Irã foi lançado” e que as sanções ao petróleo iraniano foram suspensas e alguns ativos do país foram descongelados.
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Ameaças de Trump e saída de iranianos
O presidente Donald Trump renovou as ameaças de bombardear o Irã se o país não controlar o Hezbollah no Líbano. Em uma postagem na Truth Social, Trump escreveu: “O Irã deve parar imediatamente seus PROXIES altamente pagos no Líbano de causar problemas. Se não o fizerem, vamos atingir o Irã com muita força novamente, assim como fizemos na semana passada, só que com mais força!!!”.
Em entrevista à Fox News, Trump afirmou que disse a autoridades iranianas: “Vocês fecham o estreito e não terão um país. Vocês não vão voltar para o seu maldito país… vamos tomar o resto do país”. Ele também declarou: “Podemos tomar o Estreito [de Ormuz], se tivermos que fazer. Vou explodi-los”.
Após as ameaças, a delegação iraniana deixou a mesa de negociações. O chefe negociador de Teerã, Mohammed Ghalibaf, alertou os EUA: “Não levamos em conta as ameaças americanas. Seria melhor que eles tivessem cuidado com suas declarações; nossas forças armadas estão prontas para responder a eles de maneira diferente. Não importa o que digam, somos nós quem agimos”.
Vance chega com esposa grávida para negociar
O vice-presidente JD Vance chegou à Suíça no domingo (21) por volta das 6h da manhã, acompanhado de sua esposa grávida, Usha Vance, para conduzir as negociações. Também participaram das conversas o enviado especial Steve Witkoff e Jared Kushner, genro de Trump.
Vance cumprimentou calorosamente o chefe do Exército do Paquistão, Asim Munir, que atua como intermediário-chave no conflito. O vice-presidente afirmou que o conflito entre Israel e Hezbollah no Líbano não deve prejudicar o acordo recente entre EUA e Irã.
“Vimos grandes progressos nos últimos dias para garantir que o cessar-fogo se mantenha no Líbano. Essas coisas são sempre um pouco complicadas”, disse Vance. Ele também afirmou que os EUA estão “dispostos a transformar fundamentalmente nosso relacionamento” com o Irã se o país estiver “disposto a abrir mão de ser um motor de instabilidade regional”.
Célula de desconflicção e cessar-fogo no Líbano
As negociações resultaram na criação de uma “célula de desconflicção” para lidar com os combates no Líbano, que incluirá o governo libanês. Os mediadores Paquistão e Catar afirmam que Washington e Teerã também formaram uma “linha de comunicação” para gerenciar o Estreito de Ormuz e evitar incidentes durante o cessar-fogo.
O Irã insiste que o fim dos combates no Líbano é uma das principais condições para o avanço das negociações. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, afirmou que o país está cauteloso com as negociações, dada a experiência anterior com os EUA, que duas vezes no último ano foram interrompidas por ataques em massa contra o país.
“A implementação de qualquer documento é mais importante do que sua assinatura”, disse Baghaei.
Israel mantém presença no Líbano
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, prometeu manter suas forças no sul do Líbano até que qualquer ameaça a Israel seja eliminada. O Hezbollah se recusou a interromper seus ataques a menos que Israel se comprometa a se retirar do Líbano.
O Irã insiste que a implementação do acordo comece com a parte que exige a cessação de todas as guerras, incluindo entre Israel e Hezbollah. Baghaei afirmou que os EUA “foram incapazes ou não quiseram” responsabilizar Israel pelo cessar-fogo.
Trump também criticou Israel, dizendo que o país “não pode fazer nada sem explodir prédios” em sua luta contra o Hezbollah no Líbano.
Acordo de 60 dias e Estreito de Ormuz
O acordo provisório assinado na quarta-feira (17) entre Trump e o presidente iraniano Masoud Pezeshkian dá aos dois países 60 dias para negociar um acordo definitivo para manter o Estreito de Ormuz aberto e estabelecer um caminho para o programa nuclear do Irã.
O acordo permite que o Irã venda seu petróleo livremente e tenha acesso a bilhões de dólares em ativos atualmente congelados. Também exige que o Irã dilua seu estoque de urânio altamente enriquecido.
No entanto, o Irã insistiu no fim de semana que o Estreito de Ormuz foi novamente fechado, enquanto o Comando Central dos EUA contestou a afirmação e disse que o tráfego continua fluindo. Trump ameaçou impor pedágios dos EUA sobre o estreito se não houver acordo em 60 dias.
O acordo é complicado pelo fato de que nem Israel nem o Hezbollah são signatários



















































