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Os americanos Harvey J. Alter e Charles M. Rice e o britânico Michael Houghton conquistaram nesta segunda-feira (5) o Nobel de Medicina pela descoberta do vírus da hepatite C.   

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Segundo o Instituto Karolinska, universidade sueca responsável por designar o vencedor da honraria, os três cientistas deram “contribuições decisivas” na luta contra um “grande problema de saúde global que causa cirrose e câncer de fígado em pessoas por todo o mundo”.   

“Harvey J. Alter, Michael Houghton e Charles M. Rice fizeram descobertas seminais que levaram à identificação de um novo vírus, o da hepatite C. Antes de seu trabalho, a descoberta dos vírus das hepatites A e B haviam sido importantes avanços, mas a maioria dos casos de hepatite transmitida pelo sangue permanecia inexplicável”, diz o comunicado do comitê do Nobel.   

Segundo o anúncio, a descoberta do vírus da hepatite C revelou a causa de casos crônicos da doença e possibilitou o desenvolvimento de exames de sangue e medicamentos que “salvaram milhões de vidas”.   

De acordo com o comitê do Nobel, as hepatites transmitidas pelo sangue causam “mais de 1 milhão de mortes por ano em todo o mundo” e tornam essa doença um problema de escala comparável ao HIV, vírus da Aids, e à tuberculose.   

Os vencedores – Alter, 85 anos, é formado em medicina pela Universidade de Rochester e trabalha no Instituto Nacional de Saúde (NIH) dos Estados Unidos. Ele liderou as pesquisas que descobriram um novo tipo de hepatite que, assim como a B, também era transmitida pelo sangue, na década de 1970.   

Além disso, estudos posteriores descobriram que a doença era causada por um agente infeccioso com as características de um vírus. “As investigações metódicas de Alter definiram, dessa forma, uma forma nova e distinta de hepatite viral crônica. A doença misteriosa tornou-se conhecida como hepatite ‘não-A, não-B’”, diz o comitê do Nobel.   

Houghton, PhD pela King’s College, de Londres, leciona virologia na Universidade de Alberta, no Canadá. Na década de 1980, quando trabalhava para a empresa farmacêutica Chiron, isolou e sequenciou o genoma do vírus da hepatite C.   

Já Rice, 68 anos, é formado pela Universidade de Califórnia e docente na Universidade Rockefeller, em Nova York. Também na década de 1980, quando era professor na Universidade de Washington, liderou as pesquisas que determinaram que o recém-identificado vírus da hepatite C podia causar a doença sozinho e era capaz de se replicar.   

“A descoberta do vírus da hepatite C é um marco na batalha contra doenças virais. Graças à sua descoberta, testes sanguíneos de alta sensibilidade estão agora disponíveis e praticamente eliminaram hepatites pós-transfusão em muitas partes do mundo”, afirma o comitê do Nobel.   

“Sua descoberta também permitiu o rápido desenvolvimento de drogas antivirais direcionadas à hepatite C. Pela primeira vez na história, a doença podia ser curada, levantando a esperança de erradicar o vírus da hepatite C”, acrescenta.   

Em 1976, o americano Baruch Blumberg (1925-2011) já havia conquistado o Nobel de Medicina pela descoberta do vírus da hepatite B. O trio vencedor da edição de 2020 dividirá um prêmio de 10 milhões de coroas suecas, o equivalente a cerca de R$ 6,4 milhões.   

O anúncio desta segunda-feira marca o início da semana de premiações do Nobel, que continuará nesta terça (6) com o de Física, seguido pelo de Química, na quarta (7). Já o vencedor do Nobel de Literatura será divulgado na quinta (8), enquanto o aguardado ganhador do Nobel da Paz será conhecido na sexta (9).   

Por fim, na próxima segunda-feira (12), o mundo conhecerá o ganhador do prêmio de Economia. (ANSA).   

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