🔥 Confira os Produtos Mais Vendidos desta Terça-feira (22) no Mercado Livre 🛍️ Ver Ofertas no Mercado Livre
🔥 Confira os Produtos Mais Vendidos desta Terça-feira (22) na Shopee
🧡 Ver Ofertas na ShopeeAnálise de rochas na Unidade Margem, na borda da cratera Jezero, revela que a região teve contato com água em pelo menos três episódios distintos ao longo de sua história, sob condições químicas diferentes. Estudo foi publicado na revista Communications Earth & Environment.
O rover Perseverance, da NASA, encontrou novas evidências de que um conjunto de rochas antigas em Marte teve contato com água em pelo menos três momentos distintos ao longo de sua história, cada um com condições e características diferentes. O achado, publicado na revista científica Communications Earth & Environment, amplia o conhecimento sobre o passado do planeta e reforça a relevância da região para a busca por possíveis sinais de vida antiga.
Taurina 63% OFF, Vitamina D3 61% OFF e Cúrcuma + Colágeno 58% OFF: os maiores descontos da lista – veja agora
Os resultados vêm da análise detalhada da Unidade Margem, uma zona geológica que fica na borda do interior da cratera Jezero e que é explorada pelo Perseverance desde setembro de 2023. O trabalho foi liderado por Candice Bedford, cientista da Universidade Purdue, nos Estados Unidos.
O que o rover encontrou
Quando o Perseverance chegou à Unidade Margem, a equipe científica esperava encontrar rochas sedimentares — formadas por camadas de areia e sedimentos acumulados ao longo do tempo — que são especialmente relevantes para a preservação de possíveis sinais de vida microbiana. A presença de minerais de carbonato detectados em órbita reforçava essa hipótese, já que, na Terra, os carbonatos são frequentemente associados a ambientes aquáticos, incluindo lagos e mares rasos.
O rover, no entanto, encontrou rochas ígneas, formadas a partir do resfriamento de magma. Segundo o estudo, as rochas das áreas mais elevadas da unidade apresentam textura espessa e cristalina, característica de minerais como a olivina, e poucos indícios de contato com água. Essa textura é compatível com um processo de resfriamento lento no interior de um corpo de magma. Com o passar do tempo, a erosão expôs essas rochas na superfície.
Nas áreas mais baixas, porém, os grãos de olivina aparecem fraturados e com sílica nos espaços entre eles, indicando transformações químicas provocadas pela interação com a água.
“Antes de chegar à Unidade Margem, a hipótese principal era que o carbonato visto da órbita se formou pela interação com o lago que existiu na cratera Jezero. Mas agora sabemos que este lugar se tornou uma espécie de encruzilhada de sistemas aquosos”, afirmou Bedford.

As rochas das áreas elevadas da Unidade Margem contêm olivina de textura cristalina e apresentam poucos indícios de contato com a água. (Bedford, C.C., Ravanis, E., Wiens, R.C. et al.)
Os três episódios de interação com a água
O instrumento SuperCam, instalado no Perseverance, analisou mais de 185 alvos de rocha-mãe ao longo da unidade. A partir desses dados, o estudo identificou três episódios principais de alteração, em uma sequência cronológica relativa, embora sem determinar datas precisas.
No primeiro episódio, fluidos subterrâneos ricos em dióxido de carbono (CO₂) circularam pelas fraturas das rochas e reagiram com a olivina. O processo resultou na formação de carbonatos de ferro e magnésio, que preencheram as fissuras. Com a erosão, esses preenchimentos ficaram expostos e passaram a formar cristas ou bordas proeminentes na superfície.
No segundo episódio, fluidos com pH mais baixo — portanto, mais ácidos — alteraram esses carbonatos, geraram porosidade secundária nas rochas e provocaram a precipitação de sílica nesses novos espaços. A sílica aparece em maior proporção nas rochas que estavam abaixo do nível estimado do antigo lago de Jezero, o que sugere que o próprio lago ou mudanças nos sistemas de água subterrânea podem ter contribuído para esse processo.
“A Unidade Margem contém também sílica. Transformar a olivina em carbonato pode deixar sílica como resíduo, e vemos mais dessa sílica em rochas que estiveram sob o nível da água”, explicou Eleni Ravanis, cientista planetária da Universidade do Havaí em Manoa e coautora do estudo.
O terceiro episódio é o mais recente identificado na sequência. Na parte oriental da unidade, o SuperCam detectou uma veia mineral com cerca de 25 centímetros de espessura, que se estende por vários metros em direção nordeste. Essa estrutura contém sulfato de cálcio e fluorita, minerais que podem se formar quando água quente circula por rochas vulcânicas, em um processo conhecido como atividade hidrotermal.
A presença de uma possível estrutura vulcânica na borda da cratera e a proximidade da região com a meseta vulcânica de Syrtis Major indicam, segundo os pesquisadores, que uma circulação hidrotermal tardia associada ao vulcanismo é o mecanismo mais provável para a formação dessa estrutura.
Por que essas rochas são importantes na busca por vida
A astrobiologia, área que estuda a origem, a evolução e a possível existência de vida no Universo, considera a Unidade Margem relevante por diferentes razões. Quando a água interage com a olivina, reações químicas podem liberar hidrogênio, que, na Terra, funciona como fonte de energia para alguns microrganismos.
Além disso, minerais como carbonatos e sílica podem preservar possíveis sinais de vida microscópica por longos períodos, tornando essas rochas particularmente interessantes para estudos astrobiológicos.
O estudo também identificou evidências de remobilização sedimentar perto do delta ocidental e do vale de Neretva. Nessas áreas, os depósitos apresentam características de fluxos de detritos, com fragmentos de rocha de diferentes tamanhos, formas e composições.
Os dados indicam que a história geológica da Unidade Margem envolve uma combinação de processos ígneos, sedimentares e aquosos, ocorridos em diferentes momentos.
A cratera Jezero abriga uma das maiores exposições de carbonato conhecidas em Marte. Por isso, os dados obtidos na região podem ajudar a compreender não apenas a história da própria cratera, mas também processos que ocorreram em outras áreas do planeta.
Próximos passos
O Perseverance coletou amostras na Unidade Margem, incluindo Pelican Point e Lefroy Bay, que fazem parte do conjunto de materiais selecionados para um eventual retorno à Terra. Caso essas amostras sejam trazidas ao nosso planeta, poderão ser analisadas com instrumentos muito mais precisos do que os disponíveis atualmente em Marte.
“Se algo aprendi após dez anos trabalhando com os rovers de Marte é que este planeta sempre nos reserva surpresas”, concluiu Bedford.



































































