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Mensagens indicam que Vorcaro seria dono de casa de apostas e sócio de clube de futebol

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Investigação aponta que ex-controlador do Banco Master usava funcionário para monitorar adversários e teria usado casa de apostas para patrocinar clube mineiro; ele já foi afastado do conselho do Atlético.

A Polícia Federal (PF) identificou mensagens que apontam para uma suposta participação do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, na PixBet, uma das maiores casas de apostas online do Brasil, e na Sociedade Anônima de Futebol (SAF) do Atlético-MG, clube de Minas Gerais. As informações constam em relatório anexado ao inquérito que investiga as fraudes bilionárias do banco e as relações de Vorcaro com autoridades.

O diálogo que revelou a suposta ligação

As conversas foram trocadas em outubro de 2024 entre Marilson Roseno da Silva, ex-escrivão da PF apontado como integrante do grupo “A Turma” — que, segundo a investigação, monitorava e intimidava adversários de Vorcaro —, e um contato salvo como “Pk Caiava”.

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Em um áudio enviado no dia 3 de outubro de 2024, Marilson afirma: “Sabe de quem é essa PixBet aí? Do chefe lá de São Paulo. Que tem 25% do Galo. Aliás, o patrocínio vai até mudar lá. Acho que no ano que vem vai ficar PixBet. É dele. Acho que ele vai me colocar para gerenciar isso”.

Quando “Pk Caiava” pergunta quem seria o “chefe”, Marilson responde de forma direta: “É o Daniel Vorcaro, pô, que comprou 25% lá. É a SAF”.

A participação de Vorcaro na SAF do Atlético-MG

Vorcaro, torcedor do Atlético-MG, é um dos investidores da SAF do clube por meio do fundo Galo Forte FIP. Em 2023, aportou R$ 100 milhões, e, em 2024, mais R$ 200 milhões. Com isso, chegou a deter cerca de 20,2% das ações da SAF, além de ter integrado o Conselho de Administração.

No entanto, a composição acionária foi alterada em maio de 2026, quando o Conselho Deliberativo do clube aprovou um novo aporte de R$ 530 milhões. Como Vorcaro não participou do novo investimento, sua fatia foi diluída para algo entre 4% e 5%. A operação foi liderada por Rubens e Rafael Menin, que passaram a controlar 83,5% da SAF.

Após os problemas judiciais e a prisão preventiva de Vorcaro, o Atlético-MG o afastou do Conselho de Administração em novembro de 2025.

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Monitoramento e intimidação

A investigação também revelou que Marilson Roseno da Silva e outros integrantes do grupo “A Turma” atuavam para intimidar pessoas consideradas adversárias de Vorcaro. Em uma das conversas, “Pk Caiava” menciona um terceiro personagem apelidado de “Mexirica”, que trabalhava para Vorcaro. A PF identificou “Mexirica” como Felipe Mourão, também conhecido como “Sicário”, aliado do banqueiro nas fraudes do Banco Master.

Sicário morreu após tentar suicídio na carceragem da PF em Belo Horizonte, em março de 2026. Ele chefiava a organização “A Turma”, que executava ordens diretas de Vorcaro para constranger e ameaçar adversários e ex-funcionários. A investigação estima que os pagamentos a ele ultrapassaram R$ 24 milhões.

Ingressos VIP para os filhos de Moraes

Outra série de mensagens extraídas do celular do banqueiro mostrou que Vorcaro se mobilizou para conseguir ingressos VIP para Giuliana e Alexandre Barci de Moraes, filhos do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, assistirem a uma partida entre Atlético-MG e Grêmio na Arena MRV, em maio de 2024.

Em 12 de maio de 2024, Vorcaro escreveu para Ana Matos, então funcionária do setor de marketing do Banco Master: “Filha alexandre moraes vai te chamar aí”. Em seguida, identificou a filha como “Giuliana” e pediu: “Arruma pra ela”. Depois, Vorcaro informou que Giuliana havia recebido um ingresso VIP, mas queria sentar ao lado do irmão, que não tinha o mesmo tipo de ingresso. “Coloca os irmãos juntos”, determinou.

O relatório da PF não informa quem pagou pelos ingressos nem os valores.

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Próximos passos

As investigações sobre as fraudes do Banco Master e as conexões de Vorcaro com autoridades da República seguem em andamento no STF, sob relatoria do ministro André Mendonça. O sigilo de procedimentos do caso Master foi levantado após determinação do presidente da Corte, Edson Fachin. Uma sessão plenária para analisar a validade do relatório da PF que aponta uma suposta relação entre Vorcaro e Moraes está marcada para a próxima terça-acional (15).

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