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O presidente Daniel Noboa garantiu a vitória no segundo turno das eleições presidenciais realizadas neste domingo (13) no Equador. De acordo com os resultados oficiais divulgados pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE), com 90,93% das atas apuradas, o mandatário obteve 55,92% dos votos válidos, enquanto sua adversária, a candidata correísta Luisa González, alcançou 44,08%. Com este resultado, Noboa, do movimento Ação Democrática Nacional (ADN), conquista um mandato completo para o período 2025-2029, após ter assumido o poder em 2023 através de eleições antecipadas.
“A autoridade eleitoral considera que a chapa vencedora” corresponde à liderada por Noboa, declarou a presidente do CNE, Diana Atamaint, à imprensa. “Nossas sinceras felicitações àqueles que se tornaram merecedores da confiança do povo equatoriano”, acrescentou.
Por outro lado, Luisa González questionou os resultados do segundo turno, pedindo uma recontagem de votos e solicitando a abertura das urnas, alegando dúvidas sobre a transparência do processo eleitoral. “Me nego a crer que exista um povo que prefira a mentira antes da verdade”, expressou González em Quito, em uma mensagem direcionada a seus seguidores e ao CNE. A candidata, apoiada pelo ex-presidente Rafael Correa, condenado por corrupção e refugiado na Bélgica, assegurou que não reconhecerá os resultados enquanto não houver uma revisão da contagem.
Esta é a segunda vez que Noboa derrota o correísmo – a primeira foi em 2023 – e a terceira vez consecutiva que o movimento do ex-presidente Rafael Correa perde as eleições no Equador. Anteriormente, a Revolução Cidadã foi derrotada em 2021 e no segundo turno das eleições antecipadas, após a dissolução do congresso decretada por Guillermo Lasso.
A autoridade eleitoral reportou uma participação cidadã de aproximadamente 83% do eleitorado de 13,7 milhões de pessoas habilitadas a votar. Foram registrados 6,71% de votos nulos e 0,65% de votos em branco.
A jornada de votação transcorreu normalmente na maior parte do território nacional. As mesas de votação abriram às 07h00 e atenderam os eleitores até as 17h00, cumprindo as dez horas regulamentares de votação. Às 08h00, mais de 95% das mesas já estavam instaladas com “absoluta normalidade”, informou a presidente do CNE, Diana Atamaint. Ao meio-dia, o fluxo de votantes foi significativo: por volta das 13h00, 41% dos eleitores já haviam votado, o que antecipava uma participação final similar à do primeiro turno de fevereiro (82% do eleitorado).
A eleição deste 13 de abril foi realizada sob estritas medidas de segurança. Na véspera, o governo decretou estado de exceção em Quito, sete províncias do país e no sistema carcerário, diante da onda de violência que assola o país. Durante a votação, cerca de 56.588 policiais e mais de 40.000 militares foram mobilizados para proteger os locais de votação e o transporte das cédulas e atas de apuração. Adicionalmente, o sistema ECU-911 manteve mais de 3.000 funcionários em alerta para responder a qualquer emergência.
Em relação à apuração, o CNE implementou ferramentas tecnológicas para garantir a transparência e agilidade na contagem. Cada ata de votação possui um código QR e tecnologia blockchain que assegura a rastreabilidade e a imutabilidade dos dados registrados. A digitalização das atas permitiu que os primeiros boletins oficiais fossem emitidos por volta das 18h00, apenas uma hora após o fechamento das urnas, e que os resultados preliminares estivessem disponíveis no site do CNE pouco depois.
Observadores internacionais da Organização dos Estados Americanos (OEA) e da União Europeia supervisionaram o segundo turno sem detectar anomalias significativas. A missão da OEA instou a população a aguardar a contagem oficial e a não confiar em pesquisas de boca de urna, enquanto o CNE classificou a jornada como transparente e tranquila.
Este segundo turno foi necessário após nenhum candidato alcançar a maioria absoluta no primeiro turno, em 9 de fevereiro. Naquela ocasião, Noboa obteve 44,17% dos votos válidos contra 44,00% de González, com uma diferença de apenas 0,17 pontos percentuais entre ambos.
O reeleito Daniel Noboa prometeu consolidar um governo centrado na segurança interna, no impulso à economia digital e na reforma do Estado. Um dos eixos mais destacados de sua campanha foi a continuidade da política de combate frontal ao crime organizado e contra as máfias. Noboa também insistiu na necessidade de reformar a Constituição para blindar juridicamente essas ações e manter o regime de estado de exceção onde for necessário para garantir a ordem. Para alcançar esse objetivo, ele deverá convocar uma Assembleia Constituinte.
No campo econômico, o presidente reeleito propôs a criação de zonas francas tecnológicas, que permitirão atrair investimento internacional, gerar empregos para os jovens e promover um ecossistema de inovação. Ele prometeu continuar com políticas de incentivos fiscais, assim como facilitar o empreendedorismo mediante a simplificação de trâmites e o acesso a créditos.
Noboa também anunciou reformas estruturais na educação, saúde e justiça. Ele planeja digitalizar os serviços públicos, estabelecer padrões de eficiência no sistema judicial e recuperar a confiança cidadã nas instituições. Em matéria social, assegurou que trabalhará para melhorar a cobertura do sistema de saúde e modernizar a educação técnica e tecnológica.
Seu discurso durante a campanha enfatizou que este novo período será uma oportunidade para executar sem obstáculos as transformações que o país necessita. Nesta ocasião, seu partido conta com quase metade do parlamento e há especulações de que sua mãe, a legisladora eleita Anabella Azín, poderá presidir o congresso.
Na política internacional, Noboa ratificou que fortalecerá a relação com os Estados Unidos e que não reconhecerá o governo de Nicolás Maduro na Venezuela.
Após o segundo turno deste domingo, o resultado garante a continuidade de Noboa à frente do governo. Espera-se que o presidente reeleito e seu vice assumam o cargo em 24 de maio de 2025, data prevista para a posse oficial e o início do novo período de governo de quatro anos.