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(U.S. Department of Justice/Mega)

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Trump pede divulgação de documentos “críveis” sobre caso Epstein em meio à pressão de aliados do MAGA

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, solicitou nesta terça-feira (15) que o Departamento de Justiça (DOJ) divulgue todas as informações “críveis” relacionadas à investigação sobre o criminoso sexual Jeffrey Epstein. A declaração ocorre em meio a uma onda crescente de críticas vindas dos setores mais fiéis ao movimento Make America Great Again (MAGA), que acusam o governo de encobrir informações sensíveis do caso.

O pedido foi feito após a divulgação de um memorando do DOJ e do FBI na semana passada, que descartou a existência de uma suposta “lista de clientes” de Epstein e reiterou que o financista morreu por suicídio em 2019, enquanto aguardava julgamento por tráfico sexual em uma prisão de Nova York.

Durante uma declaração pública na Casa Branca, Trump elogiou a atuação de sua procuradora-geral, Pam Bondi, diante das críticas sobre a condução do caso. “A procuradora-geral tem lidado com isso muito bem”, disse Trump à imprensa. “O que ela considerar crível, deve ser publicado”, completou.

A pressão sobre a gestão Trump vem especialmente da ala mais radical do MAGA, que sustenta que o governo estaria ocultando detalhes para proteger figuras influentes da política e de Hollywood. Os apoiadores afirmam que continuarão exigindo a divulgação completa dos arquivos até que “os segredos mais sombrios da rede de Epstein” venham à tona.

No memorando conjunto, o DOJ e o FBI afirmaram que não há provas da existência de uma “lista de clientes” nem de chantagens a personalidades influentes, e reforçaram que não existem indícios de assassinato, mantendo a versão oficial de suicídio. Além disso, o documento indicou que não haverá mais divulgação de informações sobre a investigação, o que gerou ainda mais desconfiança em setores conservadores que lembram de promessas anteriores do próprio Trump de esclarecer o caso.

Nos últimos dias, figuras conhecidas do MAGA como Jack Posobiec e Laura Loomer intensificaram os apelos por transparência. Loomer chegou a pedir a renúncia de Bondi e sugeriu a nomeação de um procurador especial para reexaminar o tratamento dado ao caso Epstein. Em suas redes sociais, o ex-conselheiro de segurança nacional, Michael Flynn, também exigiu esclarecimentos, alertando que o silêncio do governo pode agravar outras crises políticas.

Na tentativa de desviar o foco, Trump usou sua plataforma Truth Social para atacar os democratas e minimizar o caso. “Parem de olhar uma e outra vez para os mesmos velhos documentos inspirados pela esquerda radical sobre Jeffrey Epstein”, escreveu. O presidente ainda agradeceu o trabalho de Bondi e acusou “pessoas egoístas” de tentarem sabotar sua gestão “por causa de um sujeito que nunca morre, Jeffrey Epstein”.

Segundo a imprensa americana, há tensões internas no governo. Fontes anônimas relataram desentendimentos entre Pam Bondi e o vice-diretor do FBI, Dan Bongino. Laura Loomer afirmou na última sexta-feira que Bongino “pensava seriamente em renunciar”, embora ele tenha permanecido no cargo até esta segunda-feira. Já o diretor do FBI, Kash Patel, classificou como “teorias da conspiração” os boatos sobre sua possível saída.

Especialistas em desinformação, como Matt Dallek, da Universidade George Washington, alertam que o uso político de teorias conspiratórias pode minar a própria base de apoio. “Divulgar rumores infundados pode comprometer a governabilidade e, se não houver respostas concretas, os eleitores podem se voltar contra aqueles que promovem essas narrativas”, afirmou.

Do lado democrata, parlamentares aproveitaram a polêmica para exigir a publicação integral dos arquivos relacionados a Epstein. Alguns chegaram a insinuar que a relutância da Casa Branca pode estar ligada a possíveis menções a Trump ou aliados próximos nos documentos confidenciais, o que ampliou a pressão sobre a administração republicana em pleno ano eleitoral.

Conservadores alertam para riscos eleitorais caso o governo ignore os apelos. O comentarista Steve Bannon declarou, durante a Cúpula de Ação Estudantil da Turning Point USA, que o movimento MAGA pode perder até “10% da base” se Trump não liberar todos os arquivos sobre Epstein.

Enquanto isso, a pesquisadora Josephine Lukito, da Universidade do Texas em Austin, afirma que nem mesmo a divulgação de novas informações seria suficiente para encerrar as teorias em grupos mais radicalizados. “Para esses setores, nenhuma evidência é suficiente”, concluiu.

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