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O Senado dos Estados Unidos aprovou neste domingo (9), por 60 votos a 40, o avanço de um acordo bipartidário que visa a reabertura parcial do governo federal, paralisado há mais de cinco semanas. A medida foi viabilizada pelo apoio de um grupo de senadores democratas moderados que aceitaram prosseguir sem garantias imediatas de extensão dos subsídios de saúde da Affordable Care Act (Lei de Cuidado de Saúde Acessível), gerando fissuras internas no Partido Democrata.
O acordo garante o financiamento do governo até o final de janeiro e prevê uma votação em dezembro sobre a prorrogação dos créditos fiscais de assistência médica, que expiram em 1º de janeiro. A aprovação final, no entanto, pode levar dias caso haja objeções democratas durante o processo.
Democratas Moderados Decidem e Líderes Discordam
O líder da maioria no Senado, John Thune (Republicano), apoiou o compromisso e convocou a votação. “O momento de agir é agora”, declarou. O shutdown, iniciado em 1º de outubro, interrompeu voos, afetou programas de auxílio alimentar e deixou milhares de trabalhadores federais sem salário.
Entre os articuladores do acordo estão as senadoras Jeanne Shaheen e Maggie Hassan (Nova Hampshire), e o independente Angus King (Maine). Eles concordaram em avançar com três projetos de gastos bipartidários e estender o financiamento do resto do governo em troca da promessa de uma votação sobre os subsídios de saúde em dezembro.
Cinco democratas, incluindo Tim Kaine (Virgínia) e Dick Durbin (Illinois), além dos moderados, foram cruciais para atingir a marca de 60 votos.
Em forte oposição, o líder democrata no Senado, Chuck Schumer, votou contra ao lado da maioria de sua bancada. “Não posso apoiar este acordo de boa-fé”, disse Schumer, prometendo que seu partido não abandonará a luta pela atenção médica. O senador Bernie Sanders (Democrata) classificou a decisão dos moderados como um “erro terrível”.
Impacto Imediato e Críticas da Câmara
O acordo inclui a reversão das demissões em massa ocorridas durante a paralisação e o pagamento retroativo aos funcionários federais afetados. O pacote de gastos aprovado prevê financiamento para programas alimentares, veteranos e o poder legislativo.
Apesar do avanço no Senado, democratas da Câmara Baixa criticaram duramente o pacto. O representante Greg Casar (Democrata) o chamou de “traição” aos eleitores, e a congressista Angie Craig (Democrata) ironizou: “Se as pessoas acreditam que isso é um bom negócio, eu tenho uma ponte para lhes vender.”
O líder democrata na Câmara, Hakeem Jeffries, culpou Donald Trump e o Partido Republicano pelo “desastre tóxico”. Contudo, o Presidente da Câmara, Mike Johnson (Republicano), alertou que não se comprometerá a colocar o tema dos subsídios de saúde em votação na Câmara. Trump, por sua vez, voltou a criticar a lei de saúde em suas redes sociais.
Crise Atinge Aeroportos e Programas Sociais
O impacto do shutdown é grave. No domingo, mais de 2.000 voos foram cancelados e 7.000 sofreram atrasos nos EUA. O Secretário do Tesouro alertou que as viagens pré-Dia de Ação de Graças “serão drasticamente reduzidas” se o governo não reabrir.
Milhões de beneficiários de programas de assistência nutricional enfrentam atrasos, e o Banco de Alimentos da Área da Capital anunciou que entregará 8 milhões de refeições adicionais, um aumento de 20% em sua previsão inicial.
Embora o debate sobre a extensão dos subsídios de saúde retome apenas em dezembro, o voto do Senado representa o primeiro passo concreto para encerrar a paralisação mais longa em anos.