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Um relatório do Comitê Seletivo da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos sobre a China acusa Pequim de manipular os preços globais de minerais críticos por décadas, utilizando seu controle do setor para fortalecer tanto sua indústria manufatureira quanto sua influência geopolítica.
O documento, revisado pela Reuters e apoiado por legisladores de ambos os partidos, soma-se a uma série de alertas de Washington sobre o poder da China nos mercados internacionais de matérias-primas estratégicas.
Presidido pelo republicano John Moolenaar e com o apoio do democrata Raja Krishnamoorthi, o comitê afirma que a posição dominante da China no processamento e comercialização de minerais críticos — como terras raras e lítio — dificulta que os Estados Unidos e seus aliados determinem o preço real desses insumos. Segundo o relatório, Pequim teria intervindo nos mercados, elevando e reduzindo os preços de minerais estratégicos para favorecer sua economia e minar a competitividade estrangeira.
Entre as recomendações legislativas estão medidas como controles de preços e maior supervisão governamental sobre as agências que divulgam valores, com o objetivo de transformar em lei ordens executivas recentes e conter a influência chinesa. O relatório também questiona se os preços divulgados pela Bolsa de Metais de Londres (LME) — de propriedade da Hong Kong Exchanges and Clearing — refletem com precisão a oferta e demanda global sob a influência de Pequim.
Moolenaar destacou que as manobras da China já provocaram perda de empregos na indústria americana, fechamento de empresas de mineração e comprometimento da segurança nacional. O documento ainda aponta que o governo chinês ajusta deliberadamente os preços do lítio e que sua intervenção distorceu outros mercados estratégicos, afetando a participação internacional.
O objetivo das propostas é promover um debate mais amplo sobre os riscos e mecanismos de proteção frente à crescente influência do regime chinês nos mercados de minerais críticos, alinhando-se aos esforços de Donald Trump e de seu antecessor para reduzir a dependência dos EUA de suprimentos asiáticos.
A Bolsa de Metais de Londres afirmou que suas operações seguem a legislação britânica e que os preços são determinados de forma transparente com base na atividade internacional.
O relatório surge após a China anunciar, na sexta-feira passada, a suspensão por um ano das restrições impostas desde 9 de outubro à exportação de materiais estratégicos, como terras raras, componentes para baterias de lítio e diamantes sintéticos industriais. De acordo com comunicado do Ministério do Comércio chinês, a medida valerá até 10 de novembro de 2026.
Além disso, o G7 anunciou, no início do mês em Toronto, o lançamento de 26 novos projetos voltados a reduzir a dependência global da China na cadeia de suprimento de minerais críticos. O ministro de Energia do Canadá, Tim Hodgson, classificou a iniciativa como um compromisso “claro e decidido” do bloco para promover reformas no mercado mundial desses recursos estratégicos.
Representantes do Reino Unido, Canadá, França, Alemanha, Itália, Japão e Estados Unidos participaram da reunião. As novas iniciativas incluem parcerias entre os membros do G7, embora os EUA ainda não tenham firmado acordos concretos.
Tae-Yoon Kim, responsável pela divisão de terras raras da Agência Internacional de Energia, destacou que o encontro em Toronto foi “uma oportunidade importante para começar a redistribuir o poder no mercado”. Ele alertou que “a forte concentração do refino de minerais críticos em um único país (China) cria riscos econômicos e de segurança nacional”.
(Com informações da Reuters)