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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou em uma mensagem enviada ao primeiro-ministro da Noruega, Jonas Gahr Støre, que não se sente mais obrigado a “pensar puramente na paz” após não ter recebido o Prêmio Nobel da Paz. No mesmo texto, o republicano voltou a defender que os Estados Unidos assumam o controle da Groenlândia, território autônomo pertencente ao Reino da Dinamarca.
A mensagem, que foi amplamente compartilhada com outros governos pelo próprio governo norte-americano, foi uma resposta a um contato feito por Støre e pelo presidente da Finlândia, Alexander Stubb. Os líderes europeus haviam se manifestado contra a decisão de Trump de impor tarifas a aliados do continente, medida que, segundo o premiê norueguês, estaria ligada à recusa desses países em apoiar a pretensão dos EUA sobre a Groenlândia.
De acordo com comunicado divulgado por Jonas Gahr Støre, a mensagem enviada a Trump destacava a necessidade de reduzir as tensões e solicitava uma conversa telefônica com o presidente norte-americano. A resposta, no entanto, veio pouco tempo depois e em tom duro.
“Caro Jonas: considerando que seu país decidiu não me conceder o Prêmio Nobel da Paz por eu ter impedido mais de oitenta guerras, não me sinto mais obrigado a pensar apenas na paz, embora ela sempre seja predominante, mas agora posso pensar no que é bom e apropriado para os Estados Unidos da América”, escreveu Trump, segundo o texto visto pela agência Reuters.
Durante seu mandato, Trump fez campanha aberta para receber o Prêmio Nobel da Paz. Em 2024, no entanto, a honraria foi concedida à líder da oposição venezuelana, María Corina Machado, decisão que gerou forte repercussão internacional e reações do presidente norte-americano.
Jonas Gahr Støre afirmou que já explicou diversas vezes a Trump que o prêmio não é concedido pelo governo da Noruega. “Expliquei claramente ao presidente que é um Comitê Nobel independente, e não o governo norueguês, o responsável pela escolha do vencedor”, declarou o premiê.
Na semana passada, María Corina Machado entregou simbolicamente sua medalha de ouro a Trump durante uma reunião na Casa Branca. Apesar do gesto, o Comitê Nobel Norueguês afirmou que o prêmio não pode ser transferido, compartilhado ou revogado. Procurado, o Comitê Nobel não respondeu imediatamente a pedidos de comentário.
Além da questão do prêmio, Trump voltou a questionar diretamente a soberania da Dinamarca sobre a Groenlândia. Em sua mensagem, ele afirmou que o país europeu não teria capacidade de proteger o território diante de ameaças da Rússia ou da China.
“A Dinamarca não pode proteger essa terra da Rússia ou da China, e por que eles teriam um ‘direito de propriedade’, afinal?”, escreveu o presidente dos EUA. Trump também minimizou os fundamentos históricos da posse dinamarquesa. “Não há documentos escritos, apenas o fato de que um barco atracou lá há centenas de anos, mas nós também tivemos barcos atracando lá”, acrescentou.
A declaração contraria registros históricos e jurídicos. A soberania da Dinamarca sobre a Groenlândia está formalmente documentada em diversos instrumentos legais vinculativos, incluindo um tratado firmado em 1814. Além disso, os próprios Estados Unidos reconheceram repetidamente, ao longo de décadas, que a Groenlândia faz parte do Reino da Dinamarca.