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Após duas décadas de negociações complexas, a Índia e a União Europeia (UE) selaram, nesta terça-feira, um amplo acordo de livre comércio que promete redesenhar o cenário econômico global. O primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, classificou a parceria como “a mãe de todos os acordos”, destacando a criação de um mercado integrado que abrange cerca de 2 bilhões de consumidores.O anúncio ocorreu na capital indiana, durante um encontro entre Modi, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o presidente do Conselho Europeu, António Costa. A medida é vista como um movimento estratégico de ambos os lados para ganhar musculatura frente às tensões comerciais e ao domínio econômico de potências como Estados Unidos e China.
Economia e abertura de mercado
Pelo novo pacto, tarifas sobre quase 97% das exportações europeias para a Índia serão reduzidas ou eliminadas. A expectativa da UE é de uma economia anual de até 4 bilhões de euros (cerca de R$ 24 bilhões) em direitos aduaneiros.
Em contrapartida, a Índia facilitará o acesso de produtos tradicionalmente protegidos, como automóveis e vinhos, enquanto ganha terreno na Europa para suas exportações de têxteis e produtos farmacêuticos.
> “A Europa e a Índia estão fazendo história hoje. Criamos uma área de livre comércio da qual ambos os lados se beneficiarão”, afirmou Ursula von der Leyen.
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A presidente da Comissão Europeia destacou ainda que este é o maior nível de acesso já concedido pela Índia a um parceiro comercial, prevendo que as exportações europeias para o país asiático possam dobrar em curto prazo.
Geopolítica e Defesa
Além do comércio de bens — que já atingiu a marca de 120 bilhões de euros em 2024 —, o acordo possui camadas políticas e de segurança:
* Mobilidade: Estão sendo finalizados planos para facilitar a circulação de estudantes, pesquisadores e profissionais qualificados entre as duas regiões.
* Segurança e Defesa: A Índia busca diversificar seus fornecedores militares para reduzir a histórica dependência de Moscou, incentivando parcerias tecnológicas com o bloco europeu.
Desafios superados
As conversas duraram até os últimos minutos de segunda-feira. Um dos principais entraves foi o “imposto de carbono” da UE, que incide sobre o aço, além de barreiras agrícolas. O sucesso da negociação reflete a pressa de Bruxelas e Nova Délhi em garantir mercados estáveis em um momento de incerteza global, marcado por tarifas americanas e restrições de exportação chinesas.
Com informações da AFP