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Ex-chefe do FBI vira réu por foto de conchas que Trump chamou de “ameaça de morte”; entenda

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O Departamento de Justiça dos Estados Unidos indiciou nesta terça-feira (28) o ex-diretor do FBI James Comey. A acusação é por suposta ameaça de morte contra o presidente Donald Trump.

O caso gira em torno de uma foto que Comey publicou no Instagram em maio do ano passado. A imagem mostrava conchas na areia formando os números “86 47”.

O governo alega que “86” é uma gíria americana que significa “se livrar de” ou “matar”. Já “47” seria uma referência a Trump, o 47º presidente dos Estados Unidos.

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O que diz a denúncia

A acusação foi apresentada por um grande júri no Distrito Leste da Carolina do Norte, onde Comey tirou a foto. O ex-diretor do FBI responde a duas acusações:

  • Fazer uma ameaça contra o presidente

  • Transmitir uma ameaça em comércio interestadual

Cada uma das acusações pode dar até 10 anos de prisão.

Na denúncia, os procuradores afirmam que a publicação mostrar “uma expressão séria da intenção de causar dano ao Presidente dos Estados Unidos”.

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A reação de Trump

Na época da postagem, Trump deu uma entrevista à Fox News e disse que Comey sabia exatamente o que estava fazendo:

“Ele sabia exatamente o que aquilo significava. Uma criança sabe o que aquilo significava. Se você é o diretor do FBI e não sabe o que aquilo significava, aquilo significava assassinato. E está dito bem alto e claro.”


A defesa de Comey

Comey apagou a publicação no mesmo dia. Ele disse que estava caminhando na praia, viu as conchas e achou que era uma “mensagem política”.

Em uma publicação depois de apagar a foto, ele escreveu:

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“Não percebi que algumas pessoas associam esses números com violência. Nunca me ocorreu, mas eu sou contra qualquer tipo de violência, então removi a publicação.”

Nesta terça, após o anúncio do indiciamento, Comey publicou um vídeo dizendo:

“Bem, eles estão de volta. Dessa vez, por causa de uma foto de conchas em uma praia na Carolina do Norte há um ano. Nada mudou em mim. Ainda sou inocente. Ainda não tenho medo. E ainda acredito no sistema de justiça independente.”


A investigação

Após a publicação, o Serviço Secreto dos EUA interrogou Comey por horas em Washington. Na ocasião, ele disse aos agentes que viu as conchas em uma praia na Carolina do Norte.

Na época, a então secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, anunciou que Comey seria investigado pelo que chamou de “convocação para o assassinato” de Trump. A diretora de Inteligência Nacional, Tulsi Gabbard, disse que Comey deveria ser “colocado atrás das grades”.

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A segunda tentativa do governo

Este não é o primeiro processo contra Comey. Em setembro do ano passado, ele foi indiciado por mentir ao Congresso e obstruir uma investigação. Na ocasião, Trump havia cobrado publicamente que a então procuradora-geral Pam Bondi agisse contra seus inimigos políticos.

Um juiz federal mandou arquivar o caso em novembro. A decisão foi porque a procuradora escolhida por Trump para o caso não tinha autorização legal para apresentar as acusações ao grande júri.


Reações

O diretor do FBI, Kash Patel, disse em coletiva de imprensa que Comey “sabia muito bem a atenção e as consequências de fazer tal publicação”.

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O procurador-geral interino, Todd Blanche — que foi advogado de Trump no passado — afirmou:

“Ameaçar a vida do presidente dos Estados Unidos é uma violação grave das leis do nosso país. O grande júri devolveu uma acusação alegando que James Comey fez exatamente isso.”

Especialistas em direito ouvidos pela BBC e pela CNN disseram que o caso pode ser difícil de sustentar por causa da proteção à liberdade de expressão garantida pela Primeira Emenda da Constituição americana.

Michael Gerhardt, especialista em direito constitucional da Universidade da Carolina do Norte, afirmou que a evidência é “muito fraca” e que a publicação provavelmente será vista como discurso protegido.

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Jimmy Gurulé, ex-promotor federal e professor da Universidade de Notre Dame, chamou o indiciamento de “um constrangimento para o sistema de justiça criminal americano”.


A briga entre Comey e Trump

Comey foi nomeado diretor do FBI pelo presidente Barack Obama em 2013. Trump o demitiu em 2017, no meio de uma investigação sobre se a campanha do republicano havia se coordenado com a Rússia para vencer a eleição de 2016.

Desde então, os dois se tornaram inimigos públicos. Trump chama Comey de “policial corrupto” e constantemente cobra sua prisão.

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