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🧡 Ver Ofertas na ShopeeUma substância produzida por bactérias do intestino pode estar associada a um declínio cognitivo mais acelerado em pessoas com Alzheimer, segundo um estudo publicado na revista Nature Communications por pesquisadores da University of Wisconsin–Madison, nos Estados Unidos.
Os cientistas identificaram que níveis elevados de imidazole propionate (ImP), um composto produzido no sistema digestivo, estão associados a alterações biológicas relacionadas à doença e a uma deterioração mais rápida das funções cognitivas.
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A descoberta reforça as evidências sobre a possível relação entre microbiota intestinal e saúde cerebral e pode abrir caminho para novas estratégias de tratamento. Os pesquisadores, porém, ressaltam que os resultados ainda não comprovam que o ImP seja responsável pela progressão do Alzheimer.
🧬 Como o intestino pode estar relacionado ao cérebro
A pesquisa dá continuidade a uma linha de investigação iniciada há cerca de uma década, quando os cientistas observaram diferenças nas comunidades de microrganismos presentes no intestino de pessoas com Alzheimer em comparação com indivíduos sem a doença.
A partir dessas descobertas, os pesquisadores passaram a investigar o imidazole propionate como um possível elemento envolvido nessa relação.
O composto é produzido por determinadas bactérias intestinais durante o processamento da histidina, um aminoácido essencial obtido por meio da alimentação.
Segundo o professor Federico Rey, um dos autores do estudo, as bactérias capazes de produzir ImP estão presentes em muitas pessoas, mas geralmente em pequenas quantidades.
“Um micróbio não precisa ser abundante para ter um impacto no hospedeiro”, explicou Rey.
🧪 O que os experimentos mostraram
Nos experimentos realizados com camundongos, os pesquisadores observaram que a exposição ao ImP estava associada a uma maior acumulação de duas proteínas relacionadas ao Alzheimer: beta-amiloide e tau.
A beta-amiloide pode se acumular no cérebro formando placas, enquanto a proteína tau normalmente contribui para a estrutura interna dos neurônios. Em condições associadas ao Alzheimer, porém, a tau pode sofrer alterações e formar emaranhados.
Essas alterações estão entre as características biológicas observadas na doença e estão relacionadas à perda de neurônios e ao comprometimento cognitivo.
🩸 Níveis mais altos também foram observados em humanos
Para avaliar a relação em seres humanos, os pesquisadores analisaram amostras de sangue de quase 1.200 participantes do Wisconsin Registry for Alzheimer’s Prevention.
Os resultados indicaram que pessoas com níveis mais elevados de ImP apresentavam com maior frequência marcadores associados a alterações nas proteínas e nos neurônios relacionados à demência.
Além disso, os participantes com maiores concentrações do composto apresentaram um declínio cognitivo mais rápido ao longo do acompanhamento.
Segundo Rey, a associação observada foi particularmente relevante porque relacionou os níveis de ImP não apenas aos marcadores biológicos da doença, mas também à evolução do desempenho cognitivo.
🧬 Variante genética pode ajudar a explicar os níveis de ImP
O estudo também identificou uma variante genética presente em aproximadamente 43% dos participantes, associada a concentrações mais elevadas de ImP no sangue.
De acordo com os pesquisadores, essa alteração genética pode influenciar a capacidade dos rins de eliminar o composto do organismo.
A mesma variante já havia sido relacionada a um risco maior de Alzheimer em estudos genéticos anteriores. Para os pesquisadores, a nova descoberta pode ajudar a esclarecer parte dessa associação.
💊 Composto pode se tornar alvo de futuros tratamentos
Diante dos resultados, os cientistas levantaram a possibilidade de o ImP se tornar um alvo para futuros tratamentos contra o Alzheimer.
Uma das estratégias consideradas seria desenvolver medicamentos capazes de atuar especificamente sobre as bactérias intestinais responsáveis pela produção do composto.
Rey comparou a possibilidade ao tratamento do colesterol elevado, no qual medicamentos são utilizados para reduzir os níveis de determinadas substâncias e, consequentemente, o risco de doenças cardiovasculares.
Os pesquisadores, entretanto, ressaltam que ainda são necessários novos estudos para determinar se a redução do ImP poderia efetivamente retardar ou prevenir a progressão do Alzheimer.
🥩 Não é preciso eliminar alimentos ricos em histidina
Apesar de o ImP ser produzido a partir da histidina, os pesquisadores não recomendam eliminar da alimentação produtos ricos nesse aminoácido, como carnes e ovos.
A histidina é essencial para o organismo e desempenha funções importantes no corpo.
Segundo Barbara Bendlin, também integrante da equipe de pesquisa, uma alimentação equilibrada pode contribuir para a saúde de maneira geral, mas os resultados não significam que as pessoas devam simplesmente retirar alimentos ricos em histidina da dieta.
A principal questão levantada pelo estudo é se interferir na produção intestinal de ImP, e não necessariamente eliminar sua matéria-prima da alimentação, poderia representar uma nova estratégia para combater os efeitos associados ao Alzheimer.



















































































