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O mercado de trabalho formal no Brasil encerrou 2025 com saldo positivo, mas em ritmo visivelmente desacelerado. Segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados nesta quinta-feira (29) pelo Ministério do Trabalho e Emprego, o país abriu 1,28 milhão de vagas com carteira assinada ao longo do último ano.
Apesar do saldo azul, o número representa uma queda de 23% em comparação a 2024, quando foram gerados 1,67 milhão de postos. O resultado de 2025 é o mais baixo desde 2020, ano em que o impacto da pandemia levou ao fechamento de 189 mil vagas. Ao todo, o país registrou 26,6 milhões de contratações contra 25,3 milhões de demissões.
Setor de Serviços lidera; Dezembro tem retração sazonal
O desempenho anual foi sustentado majoritariamente pelo setor de Serviços, responsável por 758.355 novas vagas (alta de 3,29%). As atividades de tecnologia, comunicação e o setor financeiro foram os principais motores.
Outros setores também fecharam o ano no positivo:
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Comércio: 247.097 novos postos;
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Indústria: 144.319 vagas (puxada pelo setor alimentício e manutenção de máquinas).
Como já é tradicional, o mês de dezembro registrou saldo negativo, com o fechamento de 618,16 mil postos. O movimento é sazonal e reflete o fim dos contratos temporários de fim de ano no comércio e serviços.
Marinho culpa juros altos pela desaceleração
O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, criticou duramente a política monetária do Banco Central, atribuindo a perda de fôlego do emprego à taxa Selic, que o Copom manteve em 15% nesta quarta-feira (28) — o patamar mais alto desde 2006.
Marinho afirmou que a cautela dos empresários em investir é um reflexo direto dos juros elevados.
“Procurei dialogar com o Banco Central desde o final do primeiro semestre, mostrando que o que tinha conseguido interpretar do que eles falam nas atas e entrevistas […] poderia levar a um processo de desaceleração do ritmo”, afirmou o ministro.
Apesar de o Banco Central sinalizar um possível ciclo de queda nos juros a partir de março, Marinho demonstrou preocupação com o tempo que essa redução leva para surtir efeito na economia real. “Nós podemos estar comprometendo um grande pedaço do ano por responsabilidade exclusiva do monitoramento que o Banco Central faz”, avaliou.