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Um trecho da Ponte Frei Paolino Baldassari, em Sena Madureira, no interior do Acre, desabou no começo da noite desta sexta-feira (5). A estrutura, que custou mais de R$ 36 milhões e foi inaugurada em dezembro de 2023, na gestão do então governador Gladson Cameli (PP), é uma das principais ligações do município. O desabamento deixou quatro pessoas feridas, sendo duas em estado grave.
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Imagens de uma câmera de segurança registraram o momento exato da queda, mostrando a estrutura cedendo repentinamente sobre o Rio Iaco. O vídeo também permite observar que pedestres atravessavam o trecho que desabou no exato momento da queda, desrespeitando a proibição de passagem.
A ponte estava totalmente interditada para pedestres e veículos desde quinta-feira (4), após equipes técnicas detectarem riscos de desabamento nas margens do Rio Iaco. A interdição foi determinada pelo Deracre (Departamento de Estradas de Rodagem, Infraestrutura Hidroviária e Aeroportuária do Acre), responsável pela fiscalização da obra.
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Vítimas e estado de saúde
As quatro vítimas deram entrada no Hospital João Câncio Fernandes logo após o acidente. Duas delas estão em estado grave e precisaram ser transferidas para Rio Branco, a capital do estado.
Entre os feridos está o juiz aposentado Edinaldo Muniz, de 54 anos, que gravava uma live no momento em que a ponte caiu. Ele criticava o governo por causa do risco da estrutura e alertava sobre o deslocamento das pilastras segundos antes do desmoronamento.
“Temos aqui um equipamento público que custou R$ 36 milhões agora fechado, portanto gerando prejuízo” , disse ele pouco antes da queda.
O estado de saúde do juiz aposentado é considerado grave. Segundo o governo do Acre, ele sofreu traumatismo craniano, trauma interno abdominal e renal. Além dele, o irmão Edinei Muniz, de 51 anos, e Antônio Morais Lima Filho, de 36 anos, também foram transferidos para a capital. O estado de saúde de Lima Filho foi classificado como gravíssimo, com fratura no fêmur e pupilas dilatadas no momento dos primeiros atendimentos. A quarta vítima, Weverton Murieta, de 34 anos, segue internada em estado estável na cidade.
De acordo com o Corpo de Bombeiros, cerca de 60% da estrutura da ponte foi comprometida pelo desabamento. Até o momento, não há confirmação de mortes ou desaparecidos.
Investigação e ações do governo
Uma equipe da Polícia Científica de Quirinópolis foi acionada para os procedimentos periciais. Segundo a Polícia Civil, a dinâmica do acidente será investigada. Em nota, a Câmara Municipal de Cachoeira Alta lamentou a morte da família e se solidarizou com os familiares, amigos e toda a comunidade cachoeirense.
A governadora Mailza Assis (Progressistas) foi até Sena Madureira para acompanhar o resgate das vítimas. Ela afirmou que a prioridade do Estado era salvar vidas e dar suporte total aos feridos e familiares. O governo do Acre montou um gabinete de crise para coordenar as ações.
A governadora declarou que vai “apurar as circunstâncias do ocorrido, identificar possíveis irregularidades e adotar todas as providências cabíveis” . O Deracre já notificou a Construtora Cidade, responsável pela execução da obra, para analisar as causas do acidente.
Contexto e problemas estruturais
A ponte tem 232 metros de extensão, duas pistas para veículos e calçadas para pedestres nos dois lados. Foi construída em pouco mais de dois anos e inaugurada há cerca de dois anos e meio. A estrutura já apresentava problemas: um vídeo divulgado por um vereador mostrava rachaduras entre os blocos de concreto antes da interdição. A vistoria feita no último dia 28 identificou uma fenda na estrutura, mas, segundo o Deracre, na última intervenção executada ainda no ano passado, não foi identificada nenhuma rachadura ou comprometimento estrutural na ponte.
Uma das hipóteses para o desabamento envolve o fenômeno das “terras caídas”, comum na região amazônica, que causa erosão acelerada e colapso das margens dos rios. Esta é a segunda ponte interditada no município de Sena Madureira devido a problemas estruturais. No mesmo dia, outra ponte, sobre o Rio Caeté na BR-364, também foi interditada pelo Dnit após movimentação do solo.






















































