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🧡 Ver Ofertas na ShopeePesquisa publicada na revista Science Translational Medicine identificou maior acúmulo e disseminação da proteína tau em pacientes com menos de 65 anos. Cerca de um em cada cinco apresenta inicialmente problemas de visão, linguagem ou comportamento.
O Alzheimer de início precoce, diagnosticado antes dos 65 anos, pode apresentar uma evolução mais agressiva e rápida do que a forma da doença que começa em idades mais avançadas. A conclusão é de um estudo publicado na revista científica Science Translational Medicine.
A pesquisa também identificou que pacientes mais jovens têm maior probabilidade de apresentar sintomas que não estão diretamente relacionados à memória. Entre os primeiros sinais estão dificuldades de visão, alterações na fala, mudanças de comportamento e problemas para realizar tarefas que exigem planejamento.
Embora a perda de memória seja um dos sintomas mais conhecidos do Alzheimer, ela nem sempre é a primeira manifestação da doença em pessoas com menos de 65 anos.
Quais são os primeiros sintomas do Alzheimer de início precoce?
Segundo os pesquisadores, aproximadamente um em cada cinco pacientes com Alzheimer de início precoce apresentou inicialmente manifestações diferentes dos problemas de memória.
Os principais sintomas identificados incluem:
1. Problemas de visão e percepção
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Dificuldade para interpretar o que está vendo, mesmo com exames oftalmológicos normais;
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Dificuldade para reconhecer objetos;
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Problemas para ler;
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Dificuldade para calcular distâncias e avaliar a velocidade de objetos em movimento.
2. Alterações na fala e na linguagem
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Dificuldade para encontrar as palavras certas;
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Problemas para acompanhar frases longas;
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Dificuldade para acompanhar conversas;
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Perda gradual de habilidades de linguagem, mesmo quando a fala continua fluente.
3. Mudanças de comportamento e personalidade
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Irritabilidade;
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Humor deprimido;
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Perda de confiança;
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Diminuição do interesse por atividades;
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Alterações na personalidade.
4. Dificuldades de raciocínio e planejamento
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Problemas de atenção;
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Dificuldade para resolver problemas;
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Perda da capacidade de planejar atividades;
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Dificuldade para se adaptar a situações novas;
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Problemas para realizar tarefas cotidianas, como pagar contas, cozinhar e dirigir.
5. Alterações motoras e de orientação
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Instabilidade;
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Dificuldades de movimento;
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Tremores;
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Rigidez;
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Confusão e desorientação.
Esses sintomas podem aparecer antes das falhas de memória e dificultar o reconhecimento da doença nos primeiros estágios.
Acúmulo da proteína tau pode acelerar a doença
O Alzheimer está associado ao acúmulo anormal de duas proteínas no cérebro: amiloide e tau.
A proteína tau se acumula dentro das células cerebrais e forma estruturas conhecidas como emaranhados, que prejudicam o funcionamento dos neurônios.
De acordo com o estudo, pacientes com menos de 65 anos apresentaram maior quantidade de depósitos de tau do que aqueles que desenvolveram os primeiros sintomas a partir dos 65 anos.
Os pesquisadores também observaram que o acúmulo dessa proteína ocorreu a uma velocidade mais de duas vezes superior nos pacientes mais jovens, além de atingir regiões mais amplas do cérebro.
O professor Renaud La Joie, da Universidade da Califórnia em São Francisco (UCSF) e coautor do estudo, explicou que pessoas com Alzheimer de início precoce têm maior probabilidade de apresentar sintomas não relacionados à memória nas primeiras fases da doença.
Já Gil Rabinovici, também da UCSF e autor sênior da pesquisa, afirmou que o acúmulo e a disseminação da tau foram particularmente agressivos nos pacientes mais jovens e estiveram mais relacionados à progressão da perda de memória.
Como o estudo foi realizado?
Os pesquisadores analisaram 390 pessoas com Alzheimer de início precoce, com idade média de 59 anos, e compararam os resultados com os de 211 pacientes com idade média de 78 anos, cujo diagnóstico ocorreu mais tarde.
Todos os participantes apresentavam comprometimento cognitivo leve ou demência leve associados ao Alzheimer.
Os exames de PET cerebral identificaram o acúmulo de amiloide, considerado um biomarcador precoce da doença. Parte dos participantes também realizou exames repetidos durante dois ou três anos para acompanhar a evolução dos depósitos de tau.
Entre os pacientes com início precoce, aproximadamente 20% apresentaram inicialmente sintomas diferentes da perda de memória. No grupo de início tardio, 99% tiveram comprometimento da memória.
Genética e possíveis novos tratamentos
Os cientistas ainda não sabem completamente por que algumas pessoas desenvolvem Alzheimer antes dos 65 anos.
Segundo Konstantinos Chiotis, do Instituto Karolinska, em Estocolmo, uma pequena parcela dos pacientes apresenta mutações genéticas conhecidas por causar a doença. Esses casos, porém, foram excluídos da pesquisa.
Uma das questões investigadas pelos cientistas é se outros fatores genéticos podem explicar o acúmulo mais agressivo da proteína tau em pacientes mais jovens.
Atualmente, os medicamentos aprovados para desacelerar a progressão do Alzheimer atuam sobre a proteína amiloide. Os resultados da pesquisa sugerem que tratamentos direcionados à tau também podem ser importantes, especialmente para pessoas com início precoce da doença.
Os pesquisadores defendem a realização de novos estudos clínicos para avaliar a combinação de terapias voltadas às duas proteínas.
Cenário do Alzheimer no Brasil
No Brasil, o Relatório Nacional sobre a Demência, elaborado pelo Ministério da Saúde em parceria com a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), estima que entre 1,8 milhão e 2,7 milhões de pessoas convivam com algum tipo de demência.
O número representa aproximadamente 8,5% da população com 60 anos ou mais. As projeções indicam que os casos podem ultrapassar 5,6 milhões até 2050.
O Alzheimer é responsável por cerca de 60% a 70% dos casos de demência no país. Estima-se ainda que aproximadamente 80% dos casos não tenham diagnóstico formal.
Em 2025, o Sistema Único de Saúde (SUS) registrou 56,2 milhões de atendimentos ambulatoriais relacionados à doença.
Importante: dificuldades de memória, alterações de comportamento e problemas de linguagem ou visão não significam necessariamente Alzheimer. Esses sintomas podem ter diferentes causas e precisam de avaliação médica. O diagnóstico precoce é importante para identificar a origem das alterações e orientar o tratamento.
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