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Hacker vaza dados pessoais de mais de 40 mil agentes de imigração e cibersegurança dos EUA

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Um hacker que se identifica como “Department of Peace” roubou e vazou dados pessoais de mais de 40 mil funcionários do Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS), incluindo agentes de imigração e de patrulhamento de fronteiras. Segundo revelou o portal TechCrunch, a invasão ocorreu em meados deste ano e não havia sido divulgada publicamente pelas autoridades.

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Os registros expostos incluem nomes completos, cargos, e-mails corporativos, números de telefone celular e a localização das unidades de trabalho. Mais da metade dos dados — cerca de 21 mil registros — pertence a servidores da Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP). Outros 10 mil são vinculados ao Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas (ICE) e à sua divisão de investigações.

A invasão expôs ainda dados de quase mil funcionários da Agência de Cibersegurança e Segurança de Infraestrutura (CISA), além de pessoal da sede do departamento e de divisões como o Serviço de Cidadania e Imigração (USCIS) e o Serviço de Proteção Federal.

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O invasor afirmou ter obtido o acesso a partir de um sistema da Okta, plataforma de gestão de identidade que permite o login único (single sign-on) para a rede governamental. Em nota, a Okta declarou que não identificou evidências de que seus sistemas ou servidores tenham sido comprometidos.

Segundo a revista Wired, que também analisou os dados, o arquivo soma mais de 41 mil registros de funcionários e prestadores de serviços, atualizados pela última vez em 19 de agosto. A análise aponta que o banco de dados contém referências diretas a programas secretos e sistemas de vigilância.

Como as informações vieram à tona

Os dados vazados foram entregues inicialmente à pesquisadora de segurança maia arson crimew, que compartilhou o material com o Distributed Denial of Secrets (DDoSecrets), coletivo sem fins lucrativos que publica dados de interesse público. O grupo disponibilizou os arquivos sob o codinome de “Icepick”.

“Eles têm as nossas informações, então é justo que nós tenhamos as deles”, escreveu o hacker no manifesto anexado aos arquivos. Segundo a NBC News, ativistas contrários ao governo do presidente Donald Trump reivindicaram a autoria da ação.

O TechCrunch confirmou a autenticidade das informações ao cruzar os dados com registros de funcionários conhecidos da agência. Estima-se que a contaminação tenha atingido entre um quinto e um sétimo do contingente total de 220 mil servidores do Departamento de Segurança Interna.

Ferramentas de vigilância e programas expostos

O banco de dados expõe os níveis de credenciamento e os grupos de acesso de cada servidor a ferramentas internas. Cerca de 4,5 mil usuários, incluindo agentes de deportação, constavam em um grupo chamado “Headspace_users”. Um porta-voz da Headspace, no entanto, afirmou ao TechCrunch que a empresa não presta serviços ao DHS nem ao ICE desde 2023.

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Dezenas de outros grupos mencionam a Penlink, empresa especializada em vigilância digital que mantém contratos de longo prazo com o ICE. Um dos diretórios reunia mais de 2 mil usuários da unidade de inteligência. Além disso, mais de 200 agentes da CBP aparecem associados ao Mobile Fortify, aplicativo de reconhecimento facial utilizado para verificação de status migratório em campo.

Os arquivos revelam ainda credenciais de acesso ao ChatGPT para altos executivos da pasta, além de grupos vinculados a investigações sobre o Salt Typhoon e o Volt Typhoon, grupos de hackers associados ao governo chinês.

Para Ryan Shapiro, diretor-executivo da organização Property of the People, a divulgação de telefones e e-mails fornece ferramentas valiosas para investigações por meio da lei de acesso à informação norte-americana. Emma Best, cofundadora do DDoSecrets, afirmou que os registros servirão como um “catalisador” de novas apurações jornalísticas.

Esta é a segunda grande invasão ao DHS atribuída ao mesmo hacker neste ano. Em uma ação anterior, o invasor alegou ter obtido milhares de contratos confidenciais firmados entre o governo americano e empresas privadas de tecnologia e segurança.

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