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A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta quinta-feira (18) uma nova fase da Operação Sem Desconto, que investiga um esquema nacional de descontos ilegais aplicados a aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A ação tem como foco a apuração de fraudes relacionadas a descontos associativos não autorizados, que teriam causado prejuízos bilionários a beneficiários da Previdência Social.
Entre os alvos desta etapa da operação está o senador Weverton Rocha (PDT-MA), vice-líder do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Senado. De acordo com informações apuradas, o parlamentar é um dos investigados que tiveram mandados de busca e apreensão expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), responsável por autorizar as medidas judiciais contra autoridades com foro privilegiado.
Ao todo, a PF cumpre 52 mandados de busca e apreensão e 16 mandados de prisão preventiva, além de outras medidas cautelares. As ações ocorrem simultaneamente nos estados de São Paulo, Paraíba, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Minas Gerais e Maranhão, além do Distrito Federal. A operação mobiliza dezenas de agentes e conta com apoio de outros órgãos de fiscalização.
Segundo a Polícia Federal, a nova fase da Operação Sem Desconto tem como objetivo aprofundar as investigações sobre crimes de inserção de dados falsos em sistemas oficiais, constituição de organização criminosa, estelionato previdenciário e atos de ocultação e dilapidação patrimonial. As autoridades buscam identificar os responsáveis pelo esquema, rastrear o destino dos recursos desviados e reunir provas que reforcem as acusações já em curso.
A primeira fase da operação foi deflagrada em 23 de abril deste ano, em ação conjunta da PF e da Controladoria-Geral da União (CGU). Na ocasião, as investigações revelaram um esquema estruturado de descontos associativos realizados sem autorização dos aposentados e pensionistas do INSS. Os investigadores estimaram, à época, que o volume das fraudes poderia chegar a cerca de R$ 6 bilhões.
Desde o início das apurações, ao menos 18 pessoas foram presas, entre empresários e políticos suspeitos de envolvimento no esquema. Com a ação desta quinta-feira, a Operação Sem Desconto chega à sua nona fase, indicando o avanço e a complexidade das investigações conduzidas pela Polícia Federal.
O senador Weverton Rocha ocupa o cargo no Senado desde 2019 e, atualmente, exerce papel de destaque como vice-líder do governo Lula. Ele também é relator de pautas consideradas sensíveis no Congresso Nacional, como a indicação do ministro Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal e a proposta de revisão da Lei do Impeachment.
Em declarações públicas anteriores, Weverton confirmou ter se reunido com o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, apontado pela PF como um dos mentores do esquema de descontos ilegais. O senador afirmou, no entanto, que o encontro teve como objetivo tratar de assuntos legislativos. Já na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga as fraudes no INSS, Antunes declarou que a reunião abordou a liberação de medicamentos à base de cannabis.
De acordo com as investigações, Antônio Carlos Camilo Antunes teria acumulado um patrimônio milionário com recursos provenientes das fraudes. A PF apura a extensão desse enriquecimento e a possível participação de outros agentes públicos e privados no esquema.
Weverton Rocha também tem histórico recente de disputas políticas no Maranhão. Em 2022, concorreu ao governo do estado e esperava o apoio do então governador Flávio Dino, atualmente ministro do STF. No entanto, Dino apoiou Carlos Brandão (PSB), que acabou eleito. A trajetória política do senador teve início nos movimentos estudantis, tendo sido vice-presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE) em 2000. Em 2007, ocupou o cargo de secretário estadual de Esporte e Juventude e, anos depois, assumiu mandato na Câmara dos Deputados, onde se posicionou contra o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) e contra reformas propostas pelo governo Michel Temer (MDB).