Entre nos nossos canais do Telegram e WhatsApp para notícias em primeira mão. Telegram: [link do Telegram]
WhatsApp: [link do WhatsApp]
A Justiça do Maranhão determinou a prisão do prefeito de Turilândia (MA), Paulo Curió (União Brasil), da vice-prefeita Tânia Mendes (PRD) e de 11 vereadores investigados por participação em um esquema de desvio de recursos públicos estimado em mais de R$ 56 milhões. A decisão foi tomada pela 3ª Câmara Criminal do TJ-MA com base em investigação do Ministério Público do Maranhão (MP-MA).
Segundo os desembargadores, uma organização criminosa teria se estabelecido na Prefeitura e na Câmara Municipal para fraudar contratos e desviar verbas, principalmente das áreas de Saúde e Assistência Social. Os fatos são investigados na Operação Tântalo II, deflagrada na segunda-feira (22), desdobramento de uma ação realizada pelo Gaeco em fevereiro deste ano.
Além do prefeito e da vice, empresários, servidores públicos, 20 vereadores e um ex-vereador estão sendo investigados. Parte dos vereadores permanece foragida.
De acordo com o MP-MA, os recursos eram desviados por meio de empresas de fachada, que firmavam contratos com a Prefeitura e emitiam notas fiscais sem a prestação efetiva de serviços. A maior parte do dinheiro retornava ao núcleo político do esquema.
A investigação aponta indícios de organização criminosa, fraude à licitação, corrupção ativa e passiva, peculato e lavagem de dinheiro, ocorridos entre 2021 e 2025, durante a gestão de Paulo Curió. Segundo os autos, o prefeito ocupava posição central na organização, direcionando licitações e autorizando pagamentos sem comprovação da execução dos serviços, sendo um dos principais beneficiários dos valores desviados.
A vice-prefeita Tânia Mendes é apontada como integrante do núcleo empresarial e operacional, mantendo vínculos com empresas usadas no esquema e participando da movimentação dos recursos, dando aparência de legalidade às contratações.
A ex-vice-prefeita Janaina Soares Lima (Patriota) também é citada como peça-chave. Ela teria exercido controle sobre o Posto Turi, empresa que mais recebeu recursos da Prefeitura, com contratos que somam cerca de R$ 17,2 milhões. Parte do dinheiro era retida como uma espécie de “imposto” interno do esquema. Outras empresas usadas para fraudes incluem Luminer Serviços, Climatech Refrigeração, SP Freitas Júnior, JEC Empreendimentos e Potencial Empreendimentos.
Segundo a Justiça, os vereadores foram cooptados politicamente, recebendo pagamentos periódicos e deixando de fiscalizar o município em troca de apoio ao prefeito. A decisão judicial também autorizou buscas nos gabinetes parlamentares.
No núcleo financeiro, Wandson Jonath Barros foi identificado como principal operador do esquema, responsável por gerenciar a circulação do dinheiro, criar empresas de fachada e distribuir propinas, recebendo cerca de 3% sobre os contratos fraudados.
O MP-MA destacou que a ex-vice-prefeita Janaína Lima e o marido, Marlon Zerrão — tio da atual vice-prefeita Tânia Mendes — tiveram papel central no desvio de recursos. Conforme a investigação, o Posto Turi recebeu R$ 17.215.000,00 dos cofres públicos. O casal teria acordado com o prefeito para reter 10% dos valores dos contratos, usados, entre outras finalidades, para pagar a faculdade de medicina de Janaína Lima, enquanto os restantes 90% eram destinados ao prefeito ou a pessoas de sua indicação.
O Posto Turi também foi usado para emitir notas fiscais falsas, permitindo a fraude no pagamento de contratos públicos.