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🧡 Ver Ofertas na ShopeeA sessão plenária extraordinária do Supremo Tribunal Federal (STF) que analisa a abertura de investigação contra o ministro Alexandre de Moraes foi marcada por um duro confronto entre o decano Gilmar Mendes e o ministro André Mendonça. Durante o julgamento desta terça-feira (15), Gilmar acusou Mendonça de conduzir o caso Master com “inequívoco viés político-eleitoral”, enquanto Mendonça rebateu classificando o colega como “leviano”.
O embate ocorreu quando Gilmar Mendes ocupou a tribuna para criticar a atuação de Mendonça como relator da Petição 16.662. “É evidente, até as pedras sabem que há um inequívoco viés político-eleitoral na forma como o tema foi conduzido nos autos desta petição”, afirmou o decano, citando a escolha da data de 7 de setembro para a divulgação do relatório e mencionando bonecos com o rosto de Mendonça levados em manifestações. “Teve até pixuleco eleitoral”.
Mendonça interrompeu o colega e pediu respeito. “Quem não se dá ao respeito não merece respeito”, respondeu Mendonça, que também classificou a fala de Gilmar como “leviana”. Em outro momento, Mendonça afirmou: “Não aponte o dedo para mim, ministro Gilmar. Não aponte o dedo. Não está falando com qualquer um. Respeite esse tribunal”. Gilmar respondeu: “Pessoas decentes não fazem isso”.
A discussão foi interrompida pelo presidente da Corte, Edson Fachin, que havia aberto a sessão pedindo “serenidade” e “equilíbrio” aos ministros. “A divergência é legítima. O confronto pessoal, não. E a decisão pertence ao plenário, não a um ministro individualmente”, declarou Fachin no início dos trabalhos.
Críticas ao afastamento de Andrei Rodrigues
Antes do bate-boca com Mendonça, Gilmar Mendes já havia criticado duramente a decisão do colega que determinou o afastamento cautelar do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. “Qualquer cidadão que tenha o mínimo de noção do que significa a Polícia Federal não faria afastamento de um diretor-geral”, afirmou o decano, que elevou o tom na sequência: “Não se faz. O sujeito tem que se algemar antes de fazer esse tipo de coisa. É de uma falta de noção, de uma gravidade, que eu jamais vi”.
Apoio a Mendonça e acusações de “PF paralela”
O ministro Luiz Fux saiu em defesa de Mendonça e disse que a Polícia Federal agiu contra o Poder Judiciário ao monitorar ministros da Corte. “Eu sou ministro há 16 anos e nunca vi a Polícia Federal peitar ministro do Supremo Tribunal Federal. Nós entendemos que isso foi uma anomalia”, declarou Fux. Mendonça acompanhou as críticas e foi além: “Temos hoje uma PF paralela. Uma PF paralela com monitoramento de ministros”.
Contexto do julgamento
A sessão analisa o relatório da Polícia Federal que revelou conversas entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O documento também apontou edições do ministro em um contrato de R$ 131 milhões com o escritório de advocacia de sua esposa, Viviane Barci de Moraes.
Os ministros analisam se autorizam a abertura de investigação contra Moraes e se o relatório da PF é válido ou deve ser anulado, conforme pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR). Esta é a primeira vez que o STF se reúne para deliberar sobre a abertura de inquérito contra um de seus próprios membros.
Antes do início da votação, os ministros Dias Toffoli e Kassio Nunes Marques declararam-se impedidos de participar do julgamento. Toffoli alegou suspeição por motivo de foro íntimo, enquanto Nunes Marques citou o impacto eleitoral do julgamento e sua posição como presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
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