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A ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada hoje pelo Banco Central (BC), sinaliza que a Taxa Selic, atualmente em 15% ao ano, deve ser mantida neste patamar por um período mais longo do que o esperado. O documento sugere que o BC não deve promover um corte de juros na próxima reunião, em janeiro.
Os diretores do Comitê defenderam perseverança, firmeza e serenidade na definição da Selic, concluindo que o cenário atual de incerteza e inflação elevada exige uma restrição monetária “maior e por mais tempo do que seria apropriado”.
O Banco Central defende a manutenção da taxa de juros como estratégia para levar a inflação de volta ao centro da meta, que é de 3%. Apesar de admitir um “certo ‘arrefecimento’”, o BC pontua que a inflação segue acima do objetivo. A previsão é que o ano feche com uma inflação de 4,4%.
O Comitê reforçou que a situação atual exige cautela e uma política “significativamente contracionista”, destacando que a taxa de juros elevada tem sido fundamental para o controle inflacionário até agora.
A ata do Banco Central não se limitou à política monetária e trouxe recados duros ao governo e à política fiscal, que tem sido alvo de críticas por integrantes do Executivo.
O texto volta a apontar o descontrole fiscal como um risco relevante para a economia. O BC condenou o aumento do crédito direcionado e um possível descontrole da dívida pública, alertando que essas ações têm o potencial de elevar a taxa de juros neutra da economia, prejudicando a eficácia da política monetária.
“O esmorecimento no esforço de reformas estruturais e disciplina fiscal, o aumento de crédito direcionado e as incertezas sobre a estabilização da dívida pública têm o potencial de elevar a taxa de juros neutra da economia, com impactos deletérios sobre a potência da política monetária e, consequentemente, sobre o custo de desinflação em termos de atividade”, diz a ata.
O BC defendeu ainda a necessidade de mais harmonia entre a política fiscal, comandada pelo governo, e a política monetária, coordenada pelo Banco Central.
O Comitê amarrou suas conclusões afirmando que o cenário “prescreve uma política monetária significativamente contracionista por período bastante prolongado“.
Os diretores, no entanto, fizeram a ressalva de que os próximos passos serão ajustados a qualquer tempo e reforçaram que o Copom “não hesitará em retomar o ciclo de alta se julgar apropriado”, caso as condições econômicas assim o exijam.