Entre nos nossos canais do Telegram e WhatsApp para notícias em primeira mão. Telegram: [link do Telegram]
WhatsApp: [link do WhatsApp]
O preço do petróleo ultrapassou US$ 100 por barril neste domingo (15) nos principais mercados internacionais, impulsionado pela escalada do conflito no Oriente Médio e pelo fechamento do estreito de Ormuz, uma das rotas mais importantes para o comércio global de energia.
Na abertura do mercado, o barril do petróleo West Texas Intermediate (WTI), referência nos Estados Unidos, atingiu US$ 100,11, com alta de 2,43%. Já o Brent, referência internacional, avançou 2,82%, chegando a US$ 106,05.
A alta ganhou força após novos incidentes na região e ameaças contra infraestruturas energéticas estratégicas.
Na sexta-feira (13), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ordenou ataques contra posições militares na ilha iraniana de Kharg. Segundo ele, as instalações petrolíferas não foram atingidas até o momento. No entanto, Trump advertiu que uma escalada no estreito de Ormuz ou novos ataques iranianos contra navios petroleiros podem levar a bombardeios diretos contra as instalações de exportação de petróleo na ilha.
A ilha de Kharg é considerada estratégica para o setor energético iraniano, já que cerca de 90% das exportações de petróleo do país passam pelo local.
O embaixador dos Estados Unidos na Organização das Nações Unidas (ONU), Mike Waltz, afirmou que Washington mantém a opção de atacar infraestruturas energéticas iranianas caso considere necessário aumentar a pressão sobre Teerã.
“Até agora, os ataques se limitaram a alvos militares, mas o presidente pode decidir ampliar o alcance a qualquer momento”, declarou Waltz em entrevista à televisão.
Segundo dados da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), o Irã produziu em fevereiro cerca de 3,2 milhões de barris por dia, grande parte exportada a partir da ilha de Kharg.
Especialistas do mercado alertam que um eventual ataque direto às instalações de exportação poderia provocar forte impacto nos preços internacionais. A chefe global de estratégia de commodities do JPMorgan, Natasha Kaneva, afirmou que a interrupção das exportações iranianas — estimadas em 1,5 milhão de barris diários — poderia levar o Irã a retaliar, bloqueando o estreito de Ormuz ou atacando outras infraestruturas energéticas da região.
O estreito de Ormuz, que liga o Golfo Pérsico aos mercados globais, tem sido palco de ataques a petroleiros nas últimas semanas, reduzindo drasticamente o fluxo de petróleo e agravando a crise de oferta.
Antes da escalada do conflito, cerca de 20% do fornecimento mundial de petróleo dependia da passagem pela rota. O fechamento efetivo do estreito provocou uma das maiores interrupções da história do mercado petrolífero.
Desde o início da ofensiva militar conduzida por Estados Unidos e Israel, o preço do petróleo já subiu mais de 40%, e o Brent encerrou a última semana acima de US$ 100 pela primeira vez em quatro anos.
Na tentativa de reduzir o impacto da crise, mais de 30 países anunciaram a liberação de 400 milhões de barris de reservas estratégicas, em uma operação coordenada pela Agência Internacional de Energia (AIE).
Trata-se da maior liberação de reservas já realizada. Os Estados Unidos contribuirão com 172 milhões de barris provenientes de sua Reserva Estratégica de Petróleo. A AIE informou que países asiáticos já começaram a liberar suas reservas emergenciais, enquanto nações da América e da Europa devem iniciar o processo no fim de março.
Apesar disso, analistas apontam que a magnitude da crise e o risco de agravamento das tensões continuam pressionando os preços.
Especialistas afirmam que a volatilidade do mercado deve persistir enquanto não houver garantias de segurança para o transporte marítimo na região e permanecerem as ameaças contra infraestruturas energéticas estratégicas.
O futuro do mercado global de petróleo dependerá da evolução do conflito no Oriente Médio e da capacidade das potências internacionais de garantir a proteção de rotas estratégicas como o estreito de Ormuz.
A incerteza sobre o abastecimento, somada ao risco de novos ataques, mantém governos, empresas e consumidores em alerta em todo o mundo, diante do impacto direto que a alta do petróleo pode provocar nos custos de energia e no crescimento econômico global.
(Com informações da AFP)