O empresário Salim Mattar comentou nesta quarta-feira (11), em entrevista para a CNN Brasil, sua saída da secretaria de Desestatização e Privatizações.

Mattar confirmou a versão de Guedes, de que saiu por incômodo com o ritmo lento das vendas de empresas pela União, e que a lentidão se deve à classe política, que não tem boa vontade de privatizar.

“O fato que aconteceu é como o próprio ministro já disse: Quem dita tudo isso é a política. A política não tem interesse de privatizar, por isso que está lento o processo”, disse Salim.

Mattar negou estar “frustrado”, se dizendo satisfeito com as vendas de subsidiárias e empresas coligadas às estatais, que renderam, segundo ele, R$ 150 bilhões aos cofres público. O problema, diz o empresário, foi a dificuldade de se adaptar ao trabalho no setor público, onde, “quando você vai privatizar, mexe no conflito de interesses”.

“O establishment não deseja que aconteça privatizações, então dificulta o processo”, afirmou.

“O mundo de governo é muito diferente do mundo da iniciativa privada. As lógicas são diferentes, o tempo é diferente. Nós da iniciativa privada normalmente temos dificuldade de nos adaptar ao tempo, à lentidão da burocracia estatal”, continuou o ex-secretário.

A título de exemplo, Mattar diz que os Correios poderiam ser vendidos entre 60 e 90 dias, se fossem uma empresa privada, mas que como trata-se de uma estatal, esse prazo sobe para 28 meses. 

Apesar da saída, Salim disse à CNN Brasil que continua apoiando a equipe econômica. “A primeira coisa é que eu gostaria de deixar claro é que eu estou deixando o governo, mas não estou deixando de apoiar a pauta do presidente Bolsonaro e do ministro Guedes”, afirmou.

O empresário disse também considerar normal saída de peças da equipe no decorrer da administração.

“Não é obrigada uma pessoa que entra no primeiro dia de governo, como é o meu caso, ficar até o último dia de governo. É normal que exista troca, substituição, oxigenação das equipes, que exista mudanças. Alguém por frustração pode sair, mas não é o meu caso”, argumentou.