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Daniel Alves perdoa mulher estupro
Foto: Reprodução/Instagram

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Justiça processa Daniel Alves por agressão sexual e impõe fiança de 150 mil euros

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A juíza responsável pelas investigações sobre Dani Alves, o jogador brasileiro acusado de agressão sexual, decidiu processá-lo pelo crime. O depoimento investigativo está marcado para esta quarta-feira (2), e nas próximas semanas, as acusações deverão especificar um pedido de pena que pode chegar a dez anos de prisão. A informação foi divulgada pelo jornal espanhol El Diario.

Em um despacho de quatro páginas, o magistrado encerrou a investigação do caso e confirmou que há provas suficientes para levar o jogador a julgamento. Essa decisão era esperada, pois tanto o juiz quanto o Tribunal de Barcelona já haviam rejeitado, algumas semanas atrás, o pedido de soltura do jogador, que está em prisão provisória desde 20 de janeiro.

A fiança de 150 mil euros (cerca de R$ 783 mil) corresponde à eventual indenização que Daniel Alves terá que pagar em caso de condenação e não tem o objetivo de evitar a prisão, já que o magistrado optou por manter a prisão preventiva do jogador.

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Daniel Alves enfrentará o julgamento com uma série de “provas razoáveis” contra ele, conforme mencionado pelo Tribunal de Barcelona. Por outro lado, o futebolista alega, após várias mudanças de versão, que as relações sexuais foram consensuais. O julgamento irá esclarecer se os indícios são confirmados ou se não existem provas suficientes para condenar o jogador.

No despacho emitido nesta segunda-feira (31), a juíza considera que existem “indícios racionais suficientes para supor” que, na manhã do dia 31 de dezembro, Alves abusou “violentamente” da jovem no banheiro da boate.

A jovem entrou na boate Sutton acompanhada de um primo e um amigo, e todos eles foram para a área VIP. Lá, um garçom se aproximou e informou que havia “um rapaz que queria convidá-los”, o que a juíza relatou em seu despacho. Os três aceitaram o convite e mudaram de mesa, sentando-se com Alves e um amigo. O jogador de futebol se apresentou às garotas como “Dani, jogador de petanca do L’Hospitalet”.

Logo em seguida, conforme relatado pelo magistrado, Daniel Alves começou a interagir com as três jovens e as convidou para um copo de vinho espumante. Depois, ele começou a dançar com a vítima – que não sabia que ele era um jogador de futebol famoso. Em duas ocasiões, o juiz relatou que Alves “segurou a mão” da jovem e a colocou em seu órgão genital. A vítima retirou a mão imediatamente em ambos os casos.

Posteriormente, Alves “chamou” a jovem para ir ao banheiro exclusivo da mesa VIP que eles ocupavam. Foi nesse momento que, supostamente, ocorreu o estupro. A juíza destacou que a vítima não sabia que estava entrando em um banheiro, e uma vez lá dentro, Alves a “puxou com força para o seu corpo, ignorando” o pedido dela para que parasse.

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Além de forçá-la a ter relações sexuais sem o seu consentimento, o magistrado relatou que Alves jogou a jovem no chão e a agrediu com várias bofetadas no rosto após não conseguir que ela fizesse sexo oral nele. O jogador de futebol também impediu a vítima de sair do banheiro e saiu primeiro do cubículo, sem dirigir-se a ela em nenhum momento, mesmo que tenham se cruzado na saída da discoteca alguns minutos depois.

Quando Alves passou pela jovem “sem dizer uma palavra”, relatou o magistrado, a vítima já estava chorando e contou o ocorrido a um dos porteiros, que acionou o protocolo contra agressões sexuais.

O julgamento ainda não tem data marcada, mas apurará outras questões, uma vez que Alves continua em prisão preventiva. Nos círculos judiciais, considera-se que a audiência pode ser realizada em dezembro. O mês específico dependerá se alguma das partes apelará da ordem de acusação. Caso não haja apelação, os procedimentos serão acelerados, e na virada do verão, o Ministério Público e a defesa poderão apresentar suas acusações. Em seguida, será a vez da defesa se manifestar.

Nos casos de violência sexual, os juízes geralmente avaliam três elementos-chave: a credibilidade da versão da vítima, a corroboração de sua história por outras evidências e a confirmação de que não existem motivos obscuros para a denúncia.

Ainda conforme com o jornal espanhol, a investigação do caso constatou que a jovem manteve uma versão clara e detalhada desde o início. Tanto para a polícia (Mossos d’Esquadra) quanto para o juiz, sua história não apresentou contradições. Por outro lado, a defesa do jogador de futebol argumenta que a versão da jovem carece de credibilidade, pois eles estavam dançando antes do suposto ocorrido no banheiro.

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Essa declaração defensiva de Alves foi fortemente criticada pelo Tribunal de Barcelona em sua última decisão de manter o jogador preso. Os juízes entenderam que tudo o que aconteceu antes de entrar no pequeno banheiro da boate Sutton, onde supostamente ocorreu a agressão sexual, “não determina que a denunciante tenha consentido na relação sexual com penetração comprovada, ou que tenha mentido sobre isso”, conforme alegou a defesa.

Além disso, diversos elementos de corroboração periférica apoiam a versão da vítima, embora a defesa do futebolista afirme que eles não questionam sua presunção de inocência. Os amigos e funcionários da boate Sutton, em Barcelona, confirmaram a história apresentada pela denunciante.

Investigadores encontraram vestígios de Alves e seus restos biológicos no banheiro, bem como seu DNA no corpo da denunciante. No entanto, a defesa argumenta que isso não contradiz a versão de que as relações foram consensuais.

A defesa de Alves reiterará que as relações sexuais foram consensuais e, a não ser por uma mudança de estratégia, tentará minar a credibilidade da jovem – algo que não conseguiu em nenhum momento – atribuindo motivos obscuros à denúncia. A última declaração de Alves, em abril passado, deve ser enquadrada nessa estratégia, quando ele alegou que a jovem “poderia ter se sentido ofendida ou zangada” após ter sido convidada a sair do banheiro “separadamente” e “não ter estado mais atenta no final do ato sexual”.

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